Em Recife, o Vasco teve que sair correndo de campo e ficou trancado nos vestiários após ter marcado seu gol de empate aos 49 do segundo tempo. No Ceará torcedores tiveram que escapar da violência nas arquibancadas passando por dentro do campo de jogo. Lá a polícia teve que usar balas de borracha para conter a confusão. Em Maringá também foi registrado um episódio que levou o árbitro de GEM FUTSAL e Santa Helena a encerrar a partida que valia vaga nas semifinais da Série Bronze do Paranaense de Futsal e vaga na Prata do ano que vem.
E nós seríamos muito ingênuos se aceitassemos que a violência vivida nos estádios do Brasil neste último fim de semana encontre resposta somente no futebol e na paixão desenfreada de fanáticos por esse esporte.
Não há lugar mais propício para que a explosão da violência aconteça do que um estádio de futebol. Lá tem gente com a cabeça quente porque tá desempregado, outros porque não conseguem pagar as contas, porque está para ser despejado, porque não tem comida em casa, mas acima de tudo, porque trazem no subconsciente um ódio generalizado por conta do clima pesado que apoiadores de Lula e Bolsonaro, e que os próprios candidatos criaram e ajudaram a instaurar nas cabeças de quem mais precisa de ajuda e devolução do bem estar social, de quem mais precisa que as promessas da Carta Magna seja cumprida. A violência da campanha política fica retida até encontrar lugar e momento adequado para explodir, e está acontecendo.
Há menos de 15 dias do segundo turno das eleições presidenciais, os dois candidatos que pretende ocupar a cadeira mais importante do Brasil se degladiam em níveis tão baixos jamais vistos antes em uma campanha.
No debate deste domingo, 16, na Band, mais uma vez um chamou o outro de ladrão e o outro chamou um de genocida, e assim vai, miliciano, comunista, etc, etc.
Capítulo especial que não pode faltar, é o dos correligionários dos dois lados. Reproduzem os mesmos improprérios em suas próprias redes de comunicação, ditas redes sociais, mas o fazem com mais veemência, com mais violência, tanto que se tudo o que dizem sobre os dois é verdade, logo teríamos que nos interrrogar e os interrrogar sobre “que povo somos nós que temos gente assim disputando o cargo mais importante para uma nação inteira?
Cada um defendendo o seu time, cada torcedor defendendo suas cores, e não importam as regras, não importa se o VAR está revendo e dizendo que foi pênalti, e não importa que não adianta dizer nada, porque o jogador do time que se sente prejudicado vai peitar o árbitro tentando fazer com que ele mude de ideia, e não importa se nos deram pênalti, não importa se fizemos o gol, o que importa é provocar a torcida, jogar cadeira e provocar uma invasão, agressões a bombeiros, inclusive a bombeiros femininas.
Da mesma forma, não importa se há 200 milhões de brasileiros que precisam saber de onde virão os recursos para as promessas que eles estão fazendo. E pelo que vimos no debate não importa falar concretamente de planos para gerar renda mínima para todos em maneira perene para garantir dignidade e reduzir a violência e os absurdos investimentos que o Estado tem que fazer para conter a revolta social que deriva da fome.
Nesta noite, vimos e ouvimos tudo aquilo que já estamos ouvindo há mais de 4 anos. Ameaças, improprérios, agressões verbais, incitação à torcida. Isso mesmo, o eleitor brasileiro se comporta como torcedor, e aliás muitos deles são mesmo torcedores fanáticos e vão aos estádios incentivar seus clubes ameaçados no campeonato, e toda a violência que ouviram nos últimos meses antes e durante a campanha política, acaba se misturando nas cabecinhas fracas e cheias de álcool que decidem em modo inconsciente que é preciso colocar para fora e materializar a violência que a política e quem gira entorno, predica, incita, excita, ameaça e difundi.
Vai ter gente dizendo: Mas o que as brigas da campanha tem a ver com a violência nos estádios, e a resposta é óbvia. Tem tudo a ver, e talvez, sem que as pessoas percebam, estouram só por isso, o jogo é só o estopim.
A violência nos estádios é a violência que o brasileiro está recebendo como alimento nesses dias de decisão política. Tá na hora de dar um basta com a violência.
Que a gente possa viver o direito de ir ao estádio arriscar a morte, que a gente possa votar em quem quiser sem que haja um mundo de gente tentando nos convencer em quem devemos votar, que possamos enfim, ter a certeza de que quem estamos para escolher com guia de todos, não faça parte dessa cadeia de difusão de violência que pode não ficar só no estádio se os senhores Lula e Bolsonaro não se acalmarem e se não pedirem calma.
O jogo hoje terminou com derrota para todos, no gramado, na tv, nas redes sociais, na vida de cada um.
Uma vergonha, no estádio e no debate.
Eu estou com nojo e com o saco cheio e não vou defender ou patrocinar a violência. Nem por meu time, nem por Bolsonaro, nem por Lula e nem por ninguém.
Faça o mesmo, esfrie a cabeça, decida sozinho, não dê ouvidos as notícias falsas que ambos lados difundem, não guardem ódio dentro de vossas cabeças, não levem rancor ao estádio, aceite o exito do campo, do VAR, do voto, dar urnas, e dê mais uma chance para o país ter uma democracia, porque hoje o que temos é só sombra de uma civilidade.
Boa noite e boa sorte.
Veja a confusão em Recife