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Alunos de curso técnico em Maringá criam apps com foco em melhorar a vida de idosos

O software permite que os usuários registrem suas necessidades de serviços domésticos e encontrem profissionais qualificados para áreas como limpeza, enfermagem e cuidados com idosos. Ideia surgiu durante um hackathon.

Por O Fato Redação
30/11/2025
em MARINGÁ
FOTO: SEED

FOTO: SEED

No Colégio Estadual Gastão Vidigal, em Maringá, no Noroeste do Estado, inovar também significa pensar no próximo. Durante um hackathon, estudantes do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas uniram tecnologia e inovação para criar soluções criativas com foco em melhorar o cotidiano de pessoas idosas.

Mais de 60 alunos das três séries do Ensino Médio participaram da atividade, em setembro. O formato pensado para incentivar a criatividade dos alunos foi o hackathon, evento que consiste em uma maratona de programação para o desenvolvimento de softwares, aplicativos e soluções inovadoras. Desde então, os estudantes têm trabalhado no aprimoramento dos protótipos desenvolvidos, com foco em transformá-los em aplicativos reais para o público.

“O hackathon oferece uma série de benefícios educacionais e profissionais que fortalecem a formação dos alunos. Podemos citar contribuições como o desenvolvimento de competências teóricas e práticas, trabalho em equipe, resolução de problemas, autonomia, resiliência, autoconfiança e gestão emocional, além da aproximação com o mercado de trabalho”, explicou a professora Sônia Wakita, coordenadora do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas.

Após quase um dia inteiro de programação, os grupos participantes apresentaram seus protótipos a uma banca avaliadora, formada por educadores do colégio e representantes de empresas de tecnologia da região. A parceria com o setor privado buscou aproximar os alunos do mercado de trabalho e viabilizar a futura transformação das ideias em produtos reais.

Conforme a professora, a inspiração para o tema do evento foi o aumento da expectativa de vida média no Brasil. O corpo pedagógico buscou contemplar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, que trata da garantia de saúde e bem-estar para pessoas de todas as idades.

“Queríamos criar um projeto em que os alunos pudessem desenvolver e sair um pouco do tradicional, com alguma proposta que ajudasse a população. Como estamos vivenciando um momento de aumento no número de idosos, ligamos o útil ao agradável. Colocamos os alunos para pensar em soluções criativas para melhorar a vida dos idosos”, disse Sônia.

CENTRAL DE AUXÍLIO AO IDOSO 

Um dos projetos de maior destaque foi a Central de Auxílio ao Idoso, aplicativo desenvolvido por um grupo de sete alunos do Ensino Médio. O software permite que os usuários registrem suas necessidades de serviços domésticos e encontrem profissionais qualificados para áreas como limpeza, enfermagem e cuidados com idosos.

“Identifiquei essa necessidade na experiência da minha família: idosos que enfrentam desafios para tarefas diárias, como limpeza e organização da casa. Criar um aplicativo para facilitar o acesso a profissionais é uma forma de promover saúde, bem-estar e autonomia para essa parcela da população”, explicou Djeffer Prange, de 17 anos, estudante do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas integrado à 3ª série do Ensino Médio.

Os profissionais interessados também podem se cadastrar e validar sua identidade com segurança, por meio do upload de um documento oficial. O aplicativo ainda oferece um chat integrado para comunicação e negociação entre as partes, bem como um sistema de segurança com botões intuitivos para denúncias e contatos de emergência.

No hackathon, Djeffer e seus colegas enfrentaram uma verdadeira maratona de programação, com quase 24 horas de desenvolvimento contínuo e o revezamento dos estudantes em tarefas como planejamento e documentação, criação do protótipo visual, desenvolvimento do produto e apresentação final.

“Foi minha primeira participação nesse tipo de evento. Aprendi novas ferramentas e conceitos que certamente impactarão minha trajetória acadêmica e profissional”, acrescentou o estudante, que pretende seguir trabalhando com tecnologia e inovação no futuro.

OUTRAS INOVAÇÕES

Além da Central de Auxílio ao Idoso, os grupos compostos por alunos das três séries do Ensino Médio ainda produziram outros sete protótipos de softwares e aplicativos. A coordenadora Sônia Wakita, a pedagoga Cristiane Mansano e os professores Gabriel Henrique e Misael Correia atuaram na orientação dos projetos, que buscaram soluções para diferentes problemas do dia a dia das pessoas idosas.

O Curaconnect, por exemplo, consiste em um aplicativo inteligente que envia atualizações automáticas e seguras, em tempo real, sobre o estado de saúde de um paciente internado. Com uso de Inteligência Artificial (IA), a tecnologia pode ser integrada aos sistemas hospitalares para ler relatórios médicos, interpretar a linguagem técnica e enviar reportes automáticos aos familiares, dentro dos níveis de privacidade definidos pelo paciente e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“A família acompanha o tratamento com clareza e calma, o médico ganha tempo para cuidar do que realmente importa e o hospital ganha em eficiência e humanização”, argumentou o estudante Anthony Natale, 16 anos, aluno da 2ª série do Ensino Médio.

Já o Hosptech é um aplicativo para agendamento de consultas médicas por meio de uma IA integrada às agendas de hospitais e postos de saúde. A ferramenta proposta pelos estudantes conta ainda com um chat automatizado para dúvidas e uma aba para o agendamento de doações de sangue, com o intuito de incentivar novos doadores.

“Temos como objetivo aprimorar essas funcionalidades e facilitar cada vez mais os agendamentos, escolhendo região, o médico que o usuário gostaria de consultar e a disponibilidade de horários”, explicou a estudante Monyque Ribeiro, 18 anos, da 3ª série de Ensino Médio.

De acordo com o diretor do colégio, Sergio Martinhago, a criatividade dos alunos e a qualidade dos protótipos desenvolvidos no hackathon chamaram a atenção do corpo pedagógico da escola. “Os estudantes nos surpreenderam ao colocar em prática, em tão pouco tempo e com o cansaço batendo, os projetos que apresentaram. Eles demonstraram resiliência, persistência, alternativas de rumos e inteligência emocional. O impacto do hackathon na comunidade foi muito positivo e contribuiu para todo o envolvimento dos alunos, melhorando o clima escolar”, celebrou.

CURSOS TÉCNICOS

O Colégio Estadual Gastão Vidigal atende cerca de 2,6 mil alunos do 6º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio. Os cursos técnicos são ofertados de forma integrada, concomitante ou subsequente ao Ensino Médio, abrangendo áreas como Desenvolvimento de Sistemas, Farmácia, Enfermagem, Análises Clínicas, Turismo, Administração e outras.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, o objetivo da Educação Técnica e Profissional (ETP) é facilitar o posicionamento dos estudantes no mercado de trabalho e no Ensino Superior. “O Governo do Paraná tem investido na expansão dos cursos técnicos, que representam uma grande oportunidade para estudantes da rede estadual. A conexão com a empregabilidade e a verticalização com o Ensino Superior são algumas das vantagens”, afirmou o secretário.

No Paraná, cerca de 100 mil estudantes de quase 800 escolas da rede estadual de educação estão matriculados na ETP. A rede estadual oferta mais de 45 cursos técnicos gratuitos em diversos eixos tecnológicos, como Ambiente e Saúde, Controle e Processos Industriais, Gestão e Negócios e Infraestrutura, entre outros. AEN/PR

Tags: central de auxilio ao idosoescola estadualescola gastao vidigalhackathonmaringámercado de trabalhoroni mirandasecretária de Educação
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