Carlos Augusto Ferreira reassumiu na manhã desta sexta-feira (14) a função de secretário de Fazenda do município de Maringá. No dia 16 de outubro, a residência dele em Maringá e também a residência de sua filha em São Paulo, foram alvos de busca e apreensão da Polícia Federal.
Na Nota Oficial emitida por Carlos Augusto na manhã desta sexta-feira, 14, ele reafirma sua inocência; diz que foi ouvido em oitiva pelo delegado responsável pelo caso e que entregou todos os documentos que comprovariam o que ele diz. Enfim, Ferreira informa que sua equipe jurídica está aguardando o envio do áudio da interceptação da qual foi elaborada a transcrição da conversa que teria dado origem à busca e apreensão para demonstrar através de perícia que a voz não é dele.
Carlos Augusto Ferreira informou também em uma entrevista coletiva no dia 24 de outubro, que seus advogados já haviam pedido a devolução de seus três veículos à Polícia Federal. A PF ainda não devolveu os veículos.
LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

PREFEITURA TAMBÉM EMITE COMUNICADO EXPLICANDO RETORNO DE
CARLOS AUGUSTO FERREIRA AO CARGO DE SECRETÁRIO MUNICIPAL DE FAZENDA

ENTENDA O CASO:
A Operação de Busca e Apreensão do dia 16 de outubro na casa de Carlos Augusto Ferreira aconteceu no âmbito da ‘Operação Mafiusi’, que investiga lavagem de dinheiro do tráfico de drogas para o PCC e para a máfia italiana Ndrangheta. A suspeita da PF, era que Ferreira fizesse parte do esquema. Durante a Operação em Maringá, a PF apreendeu na casa do secretário, três veículos de luxo, inclusa uma Ferrari avaliada em mais de R$ 2 milhões.
Após a apreensão em sua residência, Ferreira se licenciou por 30 dias do cargo de secretário de Fazenda; o pedido foi acatado pelo prefeito Silvio Barros que não o exonerou. No dia 17 de outubro, o Blog politicamente.com.br divulgou uma conversa em aplicativo de mensagens que envolvia um operador financeiro ligado ao tráfico internacional preso nesta fase da Operação, e aquele que para a PF seria Carlos Augusto Ferreira. Na transcrição da conversa, o nome que aparece é “Carlão”. O então secretário de Fazenda licenciado se defendeu através de Nota, explicando que o “Carlão” e o número de telefone que aparecem na interceptação, são de Carlos De La Cruz Hyppolito, ex-sócio da Pinbank.
Carlos Augusto Ferreira explicou e a Finteck Pinbank confirmou que em 17 de abril de 2024, ele tinha sido indicado para o cargo de diretor-presidente da instituiçao, mas que a designação só durou 18 dias e que no período, Ferreira só atuou como consultor.
O endereço vinculado à conta telefônica registrada desde 2008 e que aparece nos prints das investigações feitas pela Polícia Federal estão no nome de Carlos de La Cruz Hyppolito. Também a mansão em Biscayne Island Ter, North Miami, Flórida (EUA), avaliada em mais de US$ 4 milhões, está em nome dele. Carlos Hyppolito chegou a ser cogitado para depor na CPI das Bets, no Senado.
No dia 24 de outubro, Carlos Augusto Ferreira organizou uma entrevista coletiva em um hotel de Maringá e apresentou uma série de documentos e explicações que em seu modo de ver, demonstram que a Polícia Federal se equivocou.
“Esse Carlos não sou eu, e a voz na gravação vai mostrar isso; espero que vocês saiam daqui convencidos da minha inocência; estou secretário porque sou altruísta; quero devolver a Maringá o muito que ela me deu”, disse Ferreira na ocasião.
Além de Maringá, a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão preventiva e doze mandados de busca e apreensão nas cidades de Curitiba/PR, São Paulo/SP, Santana de Parnaíba/SP, São Bernardo do Campo/SP, São Caetano do Sul/SP, Ribeirão Pires/SP, Peruíbe/SP e Jardinópolis/SP, expedidos pela 23ª Vara Federal de Curitiba/PR. Também foram decretadas medidas patrimoniais de sequestro de imóveis, bloqueio de bens e valores existentes nas contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados, que totalizam até o presente momento um valor estimado de aproximadamente R$ 13.890.000,00 (treze milhões, oitocentos e noventa mil reais).
Procurada por nossa redação, a assessoria de imprensa da Polícia Federal de Curitiba informou que o processo corre em sigilo e que as investigações ainda estão em andamento.
Na manhã desta sexta-feira, 14, aconteceu na Câmara Municipal de Maringá, a audiência pública de apresentação e discussão sobre as Leis Orçamentárias para 2026, entre elas a do Plano Plurianual (PPA), com vigência para os próximos quatro anos, e a do Orçamento Anual (LOA), referente ao exercício de 2026. A representar a secretaria de Fazenda estava o diretor de orçamento Claudinei da Silva. ·




