O NEGÓCIO É O SEGUINTE: A SAF Maringá Futebol Clube foi derrotada neste sábado na Paraíba por 2 a 1, e dá para apostar que, na caderneta de previsões de resultados que torcedores e até mesmo que o próprio Egert deve ter feito antes do início do campeonato em modo mental, perder pontos para o Botafogo (PB) era certamente algo aceitável. A viagem é longa; a logística é complicada; o clima é diferente; o estádio é um desconhecido, e o time de lá, antes de a bola rolar na primeira rodada, era visto como um dos favoritos a subir.
Parto desse pressuposto somente para dizer que, se deixamos de lado o que já foi, para focarmos no que virá, e no que precisa mudar, veremos que dá para ver o cálice meio cheio. A verdade é que o time que perdeu neste sábado (30), não é mais confuso do que o que foi goleado por Ituano ou Guarani.
A vitória sobre o Ypiranga que está mal das pernas, assim como está o Botafogo (PB), foi um alento para um momento muito difícil, e o empate com o Santa Cruz que é um bom time, deixou a impressão que se havia feito progressos, mas na verdade a casa de Egert ainda está se formando. Após nove rodadas nos aproximamos de completar 50% do caminho até o final da primeira fase, e seria muito bom que ao final dos primeiros 45 minutos do primeiro-tempo contra o Maranhão, pudéssemos vislumbrar um time com uma formação mais antiquada; quem sabe um 442, e com os nomes que precisam estar em campo para se firmarem, como é o caso de Bruno Cheron, que carrega o estigma de jogador de segundo-tempo, mas dá para apostar que para que se transforme em um que vai melhorar o passe, e sobretudo o controle da bola, só falta mesmo estar mais tempo em campo.
É sobre esse jogo desesperado que Maringá imprime no início das partidas que é preciso conversar. Nesse certame 2026 do Brasileiro da C, o copião temo sido sempre o mesmo; o árbitro apita o início da partida, e o Dogão começa a correr como se não houvesse amanhã. Calma minha gente; o jogo é jogado, e se não há um que demonstre saber dominar a bola no meio-campo, e erguendo cabeça e voz comece a ditar o ritmo, então vamos continuar assistindo àqueles espetáculos de circo em que cães simulam partidas de futebol pulando atrás de bexigas de ar. Espero que ninguém se ofenda, porque se muitos achavam feio o jogo proposto por Castilho, o de Egert hoje é um pouquinho pior.
Mas então está tudo errado? tá na hora de trocar o técnico? É claro que não; No jogo contra o Botafogo (PB) assistimos pela primeira vez em nove partidas, a dupla de zaga que veio para ser titular começar jogando juntos. Nesse ponto, haverá quem diga; “é, mas, o Lomar entregou o ouro no primeiro gol do Botafogo”; e é verdade, mas tá mais fácil para o Egert acertar a sintonia entre Lomar e Travassos, do que acertar o ‘pedaço’ colocando um terceiro zagueiro.
Agora que os dois estão aptos, é provável que a zaga sofra menos e comece a levar menos gols, mas para isso, Egert tem que antes escalar dois laterais de ofício e fazer o arroz com feijão. Quem ele vai escalar se não tiver gente de ofício à disposição ? Aí é com ele; pode ser o Cauã Tavares, ou ainda o Jhow, mas o importante é que por exemplo Negueba e Paulinho não tenham que voltar, porque são ótimos no que fazem, mas quando voltam para ajudar não passam da voluntariedade.
Se a gente olhar atentamente para o elenco, e agora falo do meio-campo para frente; veremos nomes que agradam e muito; sim, porque além do Cheron, tem o Rafa que sua sangue e não chuta fofo; tem o Camarão que tem sido pouco aproveitado, mas que hoje tem mais bola do que o Pira; tem o Nacho Neira, que merece uma nova chance; tem o Lucas Bonifácio que pode jogar como volante de contenção e proteção para quem cria, e de líbero quando for preciso cadenciar o jogo para sair da pressão sem dar chutões, mas também sem entregar o ouro. E Egert, não se esqueça do Iago Santana; ele também precisa jogar.
E já que os verbos hoje são apostar e esquecer, que tal esquecer um pouco o Pira e o Gomez que vão voltar a funcionar quando a base da máquina estiver bem regulada. O banco às vezes faz bem.
É preciso olhar também para o que há de melhor, e que as vezes não rende também. Negueba, Adeílson e Cheron são a nata da qualidade técnica, mas não vão resolver sozinhos se não se criar uma situação onde os dois últimos sejamos aqueles que desde o apito inicial comandem a cadência da posse de bola que tem que ser ‘nossa’. Chega de tomar gols no início das partidas; aconteceu pelo menos seis vezes em nove rodadas e não dá para fazer de conta que não está acontecendo; é claro que não é necessário renunciar à ofensividade, mas tudo tem hora, menos para o Dogão, que assim se abre a coleira, começa a correr como cachorro louco, e tentando um gol de qualquer jeito, acaba por ter suas redes violadas rapidamente, e aí, sua corrida recomeça na subida.
Essa coisa de dizer que “o negócio é fazer mais gols do que se sofre” não está funcionando. Nem o Anápolis tomou tantos gols assim; foram só 13; e digo só porque Maringá já levou 21; é uma média superior a 2 por partida. Tem mais né; se continuar assim; o Anápolis também vai ser um dos que daqui a cinco rodadas, vai querer se reabilitar em cima do Dogão.
O Dogão que tem entrado em campo em 2026 tem feito o torcedor sentir saudades de jogadores como Léo Ceará e Ronald; e olha que com eles também vivemos tempos sofridos. A diferença entre aquele passado que tinha os dois, e o passado de ontem, é justamente um presente sem padrão de jogo; sem um time que se possa chamar de titular; com apenas alguns que são donos da posição, e que sofrem demais com as mudanças imaginadas em base a dados que mostram como o adversário joga. Isso também é bom, mas antes esse time tem que ter condições de pôr a bola no chão, e de tocar a bola de pé em pé, e isso só pode acontecer quando cada coisa estiver no seu lugar.
Egert, coloque as coisas no lugar; faça logo; faça seu time jogar como você quer, só assim esse time, esse que está aí, porque é o que se tem, vai conseguir superar os temerosos minutos iniciais. A bola tem que ser ‘nossa’. A zaga tem que ser a zaga; tá bem o Neto no gol, mas uma hora dessas o Tony pode até voltar; o Travassos e Lomar que conversem e se acertem; e quem tiver que jogar de lateral, de ofício se possível ou improvisado; que comece protegendo a zaga; que Bonifácio seja o protetor do talento de Adeílson e Cheron, que ao lado de Paulinho ou Rafa ou quem sabe ainda de Iago Santana, formem um meio campo de respeito; e que sendo dono da bola, possam colher o que melhor podem dar Calito ou Camarão e Negueba.
Esse time não é ruim, mas tem que jogar junto, pode fazer melhor do que isso; e é melhor que isso aconteça logo, ou então não é difícil que daqui a quatro rodadas começemos a falar de lutar para não cair.
Caro Egert, e caro leitor; é provável que discordem e digam que não é bem assim, mas se não é bem assim, do jeito que tá é que não é mesmo, então, é preciso tentar com arroz, feijão, bifé e fritas e saladinha de tomate; ovo frito e farofinha; tudo muito simples e eficaz; é só não errar no tempero e não mexer demais para não desandar.




