O NEGÓCIO É O SEGUINTE >>>> Perdido como um cão que caiu da mudança, é como o Dogão ficou depois da goleada para o Guarani, e ainda meio assim, viajou para o Rio Grande do Sul em busca de um ponto; mas não é um ponto qualquer, é um ponto de equilíbrio, que o leve a vitórias mais controladas, derrotas menos humilhantes e quem sabe até a empates, que pelo menos somam um ponto. O time tá aí, tá vivo; ganhou três e perdeu três, e o problema nem é esse; o problema é como êxitos e derrotas acontecem.
Apesar das duas goleadas sofridas nos últimos três jogos terem mostrado que o Dogão tem uma defesa que é uma verdadeira peneira, a SAF Maringá Futebol Clube chega à sétima rodada naquela oitava posição que lhe garantiria vaga na segunda fase, algo que seria inédito.
Com aproveitamento de 50% depois de um terço das 19 rodadas a serem disputadas, o treinador Moisés Egert sabe que o time vive um momento negativo em que a gangorra de sua campanha está tocando no solo, e talvez seja hora de subir de novo. De FATO, Maringá é um time de altos e baixos; venceu duas seguidas contra Ferroviária e Figueirense, depois caiu duas vezes, com Brusque em casa e Ituano fora; depois bateu a esforçada Itabaiana no WD, onde enfim na última rodada viu o Guarani desfilar e golear em modo impiedoso e profissional.
Egert obviamente não pode ficar pensando nisso, e certamente no voo que fez na madrugada desta sexta-feira fria de Maringá a São Paulo, e depois no outro até Chapecó, onde pararam para almoçar para depois enfrentar outros 100 km num busão, ele teve tempo para pensar em como armar seu time para continuar marcando gols sem sofrer mais do que faz; foram 13 marcados em 6 partidas, o que é muito bom, mas foram 17 sofridos, o que é muito, mas muito ruim mesmo, porque dá média de quase três por partida.
E se Egert precisa pensar no time com o que tem à disposição, é bom lembrar também os nomes de quem ele não poderá contar. Tony Batista, Keven, Wendel Lomar e Thiago Rosa. Tá todo mundo no departamento médico, e desses, os que mais fazem falta são sobretudo Lomar e Rosa. O treinador maringaense ainda não teve chance de escalar Lomar ao lado de Travassos na zaga; e ambos foram contratatos para fazerem dupla, resolverem o problema da zaga e passarem experiência aos jovens que sozinhos estão queimando o filme junto ao torcedor.
Sem Paulinho, que parece ter sentido o peso da responsabilidade de carregar a faixa de capitão e que acabou sendo expulso na goleada por 5 a 0 sofrida para o Guarani, Egert pode promover a volta de Pira, que talvez não estaria entre os onze, pelo menos não neste momento, e que se volta agora, talvez volte quase que por causa das circunstâncias que não oferecem fartas soluções. É verdade que no banco há outros nomes como Danielzinho e Cheron, mas é provável que Pira que já amargou banco, volte, e isso é bom, porque quem sabe, volte com ares novos.
E já que falamos sobre o que Egert tem para montar seu time que começa jogando, é bom arriscarmos os nomes dos onze; Dever ser mesmo com Guilherme Neto, Gabriel Souza, Gabriel Travassos, Jhow e Cauã Tavares; Kelvi, Adeílson e Guilherme Pira; Negueba, Calito e Gomez. E se for diferente, não será de muito, pelo menos não taticamente.
Há quem acredite que neste momento, Egert entre em campo com um time mais cauteloso; marcando mais em seu campo e tentando matar o jogo em um ou dois contra-ataques. Esse time tem características para fazer isso, mas obviamente, se optar por jogar assim, vai ter que antes sofrer com a pressão que pode ser inevitável nos primeiros dez minutos. O torcedor mais atento certamente dirá que não importa, porque jogando do jeito que vem jogando, tem tomado gol quase mesmo antes do árbitro apitar o início da partida; contra o Guarani, Guilherme Neto buscou a bola pela primeira vez no fundo das redes antes mesmo que o relógio completasse seu segundo giro.
E se uma semi-retranca não trouxer a vitória, um empate não seria mal. Voltar de lá com um ponto pode fazer bem para o moral da defesa que vai ter vida dura no Colosso da Lagoa de Erechim. O reduto do Ypiranga também anda meio em baixa. Em casa, o Ypiranga deixou escapar cinco dos nove pontos que disputou.
Se tá ruim para Maringá que tem 9 pontos e que agora tem que tentar sua reabilitação longe de casa, também não está muito bom para o Ypiranga que sofre pressão parecida e é cobrado fortemente justamente no quesito “não perder pontos em casa”.
O tempo em Erechim neste sábado deve colaborar. Não deve chover na hora da partida e a temperatura que será de 20 graus às 17h, horário previsto para o apito inicial, será de 16 ao final do jogo.
Para fechar falando sobre as coisas do Maringá, nota-se que esse é um time que não sabe empatar; venceu três e perdeu três neste certame. É claro que ninguém do clube vai dizer que se empatar tá bom, mas neste momento, mas do que um pontinho, o empate pode ajudar a recuperar um pouco da segurança perdida, para depois voltar à Cidade Canção e quem sabe com novidades boas do DM, recomeçar diante do Santa Cruz no sábado 23, sua caminhada rumo ao objetivo da classificação.
O time é esse aí, o técnico também, e esse ano tem uma grande vantagem; só caem dois, então, o negócio é somar pontos; um aqui, outro ali quando não é possível obter mais, e com o tempo afinar a máquina para vencer, e vencer com controle do jogo, algo que não aconteceu nem mesmo diante da Itabaiana, e que já não tinha acontecido por exemplo diante do sub-20 da Ferrinha que perdeu, mas saiu daqui revoltada com a arbitragem, mas o choro é livre, e Maringá não tem nada com isso, só com aquilo.
Quem tem que cobrar que em campo se faça aquilo que se presume é treinado, é o treinador; só ele sabe se isso está mesmo acontecendo, porque parece que não está. Contra o Ypiranga seria bom ver jogadores com cacoete de defensores jogando no sistema defensivo. É triste ver Negueba, Camarão e outros voltando e se sacrificando muitas vezes em vão. Que o diga Paulinho que quase tem um torcicolo com a finta de corpo que o ágil Cachoeira lhe deu lá para as bandas da lateral esquerda da Herval com a Colombo. Quando um atacante exagera ajudando em funções que não são as suas, não só não ajuda, mas acaba entregando o ouro para o bandido e ainda desperdiça seu potencial que é fadado a ficar aquém por causa do desgaste físico que tais escolhas comportam.
O Ypiranga é favorito, e isso é bom para Maringá, que entra em campo como franco atirador, e pode até mesmo espantar um pouquinho os ventos de crise com uma vitória. Se isso acontecer, e isso é importante, que ninguém aqui fora diga, “mas olha como jogam bem”. A Série C é longa, dura e equilibrada; as viagens são longas, cansativas, e muitos dos adversários são verdadeiras incógnitas. Egert conhecia bem o Guarani, mas não adiantou nada; conhece um pouco menos o Ypiranga, quem sabe isso seja bom.
Não adianta, vai ser jogo duro, e se a confiança sobre o bom técnico está sendo mantida, e não poderia ser diferente, é bom também que o time que ele comanda mostre no mínimo um pouco de controle sobre sua condição geral. Se parte da defesa está no DM, então tem que ter um meio campo mais sólido e deixar que um um ou dois briguem lá na frente; se jogar no ataque deixando buracos enormes nas costas, sobre tudo nas laterais, é pedir para levar gols. A emergência é essa. O time tem que se defender bem para pela primeira vez neste campeonato, conseguir terminar uma partida com suas redes invioladas.
Egert sabe que quando o equilíbrio chegar o time vai render mais e vai falhar menos; ele sabe também que aí, a preocupação com a posição na tabela vira atração positiva, mas esse ponto precisa acontecer logo, e a hora é bem boa para começar a funcionar.
A partida deste sábado terá um trio de árbitros todo catarinense; Franciel dos Santos Martins no apito e Alexandre de Medeiros Lodetti e Diogo Berndt como assistentes.




