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Curitiba e mais 7 capitais estão longe de atingir o pico de mortalidade por COVID, indica Sistema ModInterv

Sistema baseado em modelo matemática desenvolvido por rede de pesquisadores da UFPR, UFPE e UFS aponta que Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre regrediram no combate à doença, enquanto Recife e Belém já ultrapassaram o pico de mortes

Por O Fato Redação
27/07/2020
em PARANÁ
Curitiba e mais 7 capitais estão longe de atingir o pico de mortalidade por COVID, indica Sistema ModInterv

Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis estão entre as capitais brasileiras que mostram, nesta segunda metade de julho, distância em relação ao pico da mortalidade por Covid-19, o que indica retração do combate à pandemia. A análise é baseada no ModInterv, sistema para projeções criado por pesquisadores de áreas de Exatas das universidades federais do Paraná (UFPR), Pernambuco (UFPE) e Sergipe (UFS). Segundo o sistema, a situação ocorre também com outras cinco capitais: Goiânia, Belo Horizonte, Campo Grande, João Pessoa e Brasília. A avaliação foi registrada em artigo no banco de pré-prints da Scielo e considera a situação das 27 capitais no dia 19 de julho (que vem se mantendo desde então).

Segundo os cientistas, as oito capitais mencionadas estão com a curva acumulada de mortalidade em ascensão, seja ela mais ou menos acentuada. Considerando que todos os estados brasileiros tinham mortes confirmadas por Covid-19 já na primeira quinzena de abril, o cenário sugere que as cidades estão falhando nas medidas de combate (o que faz com que a curva permaneça ascendente desde o início) ou houve retrocessos no combate ao vírus por causa do afrouxamento de medidas de prevenção.

Nesse último caso, é possível notar uma mudança de rumo na curva dos gráficos de mortalidade que os autores do trabalho chamaram de “relargada”.

“Em Curitiba foi o que aconteceu, certamente, porque a curva de óbitos da cidade parecia perto de ponto de inflexão para formar o platô e houve a ‘relargada’ no fim de junho. É um quadro parecido como o das outras capitais do Sul”, avalia o professor Giovani Vasconcelos, do Departamento de Física da UFPR, que faz parte da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv), criadora do sistema. “É diferente de cidades que estão na mesma situação porque a curva sempre mostrou crescimento, caso de João Pessoa”.


Saturação

Recife e Belém são as únicas capitais já na fase de saturação, ou seja, que atingiram o pico de mortes, o que significa que o gráfico de óbitos tende a formar um platô que aponta regressão da pandemia — a linha reta significa que as mortes pela pandemia pararam de se acumular. As outras 17 capitais se encontram em situação de combate à pandemia (curvas de óbitos em ritmo desacelerado, próximas do ponto de inflexão).

Desse último grupo, Maceió é a que parece mais propensa a alcançar a mesma situação das outras duas cidades nordestinas. É preciso cautela, porém, já que a piora do cenário tem se mostrado mais rápida e fácil do que o contrário. “O gráfico da capital alagoana é exemplo de como a situação é dinâmica: no domingo passado, o modelo que prevê saturação ainda não ‘convergia’ para Maceió”, explica Vasconcelos. A instabilidade fica mais clara quando se analisa o motivo pelo qual Maceió ainda não faz parte do mesmo grupo que Recife e Belém: aumentos esporádicos no número de mortes neste fim de julho, que têm adiado a inflexão da curva de óbitos e a formação do platô.


Mudanças bruscas

Da mesma forma Recife e Belém devem manter cautela, afirma o professor Raydonal Ospina, do Departamento de Estatística da UFPE e membro da rede de pesquisa. Entre as duas cidades, Recife tem números melhores no que diz respeito à taxa de mortalidade por milhão de habitantes (126,63 óbitos por 100 mil habitantes no último dia 26, contra 137,93 de Belém segundo a plataforma Brasil.io) e apresenta uma aproximação mais rápida em relação ao que se pode considerar o fim da pandemia. Ospina ressalta que a capital pernambucana Implementou em meados de maio um “lockdown”, com fechamento de escolas, comércio e serviços não essenciais, assim como do acesso às praias.

O município também fez campanhas de conscientização — obtendo altos índices de cidadãos adeptos do isolamento social — e criou grupos de trabalho com a participação de cientistas para planejar a reação à escalada de mortes. Para o professor, os resultados dessas medidas parecem se refletir nas estatísticas. Por outro lado, há o risco de uma reabertura precoce, como a decretada neste mês, suscitar uma “relargada” como a vivenciada pelas capitais sulistas.

“Ter chegado ao platô ou à fase de saturação não implica que estamos terminando. Indica que as medidas de prevenção têm sido adequadas a fim de manter o número de óbitos controlados. Mas isso assumindo que as condições se mantenham. Se mudar as medidas de contenção da doença, por exemplo, relaxando o quadro, a doença pode recrudescer. Sem vacina fica muito difícil pensar em fim de epidemia”, analisa.

Aplicativo

O sistema ModInterv se baseia em um modelo matemática descrito em um artigo científico publicado em maio na revista “PeerJ”, focada em ciências da vida e ambientais. A inovação do modelo é a capacidade de adaptação da sua fórmula, que permite fazer projeções em diferentes cenários e localidades, desde que a hipótese de um tratamento farmacológico específico para a doença esteja
fora da equação.

Em breve o ModInterv poderá ser acessado, por qualquer interessado, por meio de um aplicativo para celulares batizado com o nome do sistema. Assim como na ferramenta on-line, o aplicativo permitirá escolher curva (contágio ou óbitos) e localidade (cidade, estado ou país). Há ainda a opção de gerar imagens dos gráficos para download.

O aplicativo foi desenvolvido por pós-graduandos dos programas de Física da UFPE e pesquisadores dos Departamentos de Física da UFS e da UFPR. O lançamento ocorreu durante um seminário on-line, em junho. Atualmente o app está em fase de avaliação pela Google Play Store.

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