> O NEGÓCIOÉ O SEGUIINTE >>>>> “Precisamos de reforços, mas as soluções para o agora, estão aqui”; esse é um pouco o resumo da resposta mais importante da entrevista coletiva com o novo treinador apresentado hoje pelo Maringá Futebol Clube.
A apresentação aconteceu na manhã desta segundona de Carnaval. Moisés Egert, desconhecido por aqui, chega porque com Rodrigo Casarin – o Chipp – não deu certo; e esse ponto é importante entender, para que não se crie a retórica do “agora vai”. Com Chipp, a diretoria do Dogão deu um tiro no pé, perdeu tempo e contratou para um modelo de jogo, que agora terá que em um certo modo ser imposto ao novo técnico que já chegou falando de “otimizar as peças que têm à disposição”. Todo mundo sabe que o time comandado por Rodrigo Casarin começou o Paranaense com várias lacunas defensivas e que com o passar das rodadas a coisa só foi piorando. O culmine da situação veio com a saída de Ronald Carvalho, único zagueiro à altura, mas que também não estava muito afim de jogar na defesa, preferindo se aventurar como volante e no ataque.
No dia 30 de dezembro, Chipp concedeu entrevista a imprensa antes do último treino do time em 2025. Naquele dia, ele disse que aguardava a chegada de reforços para a defesa; “dois ou três”; pois é, só que o campeonato começou oito dias depois, os reforços não chegaram para a estreia e nem depois das três primeiras pífias apresentações contra adversários ainda frágeis como eram naquele momento, Cianorte, Operário e Coritiba. Se era para trocar de técnico, aquele era um bom momento, mas o certo mesmo teria sido trazer os zagueiros que o homem anunciava publicamente que esperava e que a diretoria repetia que sempre que questionada, “estão chegando, vamos anunciar em breve”. Não vieram nem depois da derrota para o Azuriz em casa e talvez se imaginou que a goleada sobre o fraquissimo Galo de Segunda Divisão, fosse mudar tudo num passe de mágica; não aconteceu e o que se viu depois foi uma vitória sobre o Andraus que é outro fraco time de Segunda.
A casa caiu, mas ninguém quis admitir; foi melhor apontar o dedo para a grande restruturação do elenco, contra o modelo de campeonato de tiro curto, contra tudo e qualquer coisa, como se os outros times, e cito o Londrina, que reformulou o time até demais, não tivesse que jogar o mesmo campeonato.
Chipp não teve que ver um Salvador da Pátria chegar para salvar o Dogão do rebaixamento, mas nem os sete gols marcados nas duas partidas no Torneio da Morte o mantiveram na cadeira. Quando todo mundo achava que agora seria o momento do anúncio dos defensores que Casarin queria, chega a rescisão de contrato e a contratação de um técnico que às suas primeiras palavras, não vai cobrar cumprimento de promessa feito a outro.
Egert, que não tem nada a ver com as críticas que tecemos aqui, chega falando de colocar em prática um futebol simples, funcional e de excelência. “O jogador vai saber o que ele tem que fazer na fase defensiva e ofensiva. Quem ganha jogo é jogador, e eu acredito que quanto mais simples é, mais funcional é”, disse o novo treinador no início da entrevista coletiva desta manhã no Centro de Treinamento do Maringá Futebol Clube. “Quero cultivar um ambiente bom, em que atletas estejam confiantes, porque acredito que os resultados virão em função disso”.
Egert fez como Chipp, elogiou o projeto de sociedade que lhe foi apresentado no papel. “Fiquei muito motivado com o projeto vencedor e ambicioso. Sei que o MFC tem como filosofia, o jogo intenso, de disputas, competitividade e de marcação individual”.
Sem aprofundar sobre o modelo de jogo, Egert só deu pistas que tem preferência pelo 442, contudo disse que sua equipe vai se posicionar dentro de campo de acordo com cada adversário e aí tem abertura para outros esquemas de jogo.
Respondendo à questão sobre a necessidade de reforços, Egert começou dizendo que o elenco é forte, e repetidindo aquilo que certamente a diretoria lhe informou, disse que o grupo “está em fase de reformulação”. Egert argumentou ainda, que o grupo tem potencial para evolução, mas “que algumas peças pontuais serão necessárias”, e buscando anuência do presidente João Victor que sentado à sua esquerda mantinha o olhar concentrado sobre ele, disse que “estamos de olho no mercado, né presidente”, obtendo de Mazzer um aceno positivo com a cabeça. Depois, para encerrar o tema, disse acreditar “que a curto prazo as soluções estão aqui”.
Já João Vitor, disse e de novo, que “em breve” se anunciará reforços.
O presidente falou que as contratações prometidas, dependem de acertos finais, de burocracia, de documentação e da janela que agora se abre. A questão relevante sobre a chegada de Egert, diz respeito ao nível de campeonato que ele está habituado a militar como técnico. A A2 do Paulistão é mediamente para muitos, superior ao futebol jogado no Paranaense da Primeira Divisão, mas só isso também não basta. Para o novo técnico, o momento é inédito; será a primeira vez para ele em um Campeonato Nacional, e começa pela Copa do Brasil, para seguir, quem sabe, com a Série C do Brasileiro. É legítimo perguntar se Egert é uma oportunidade para o Dogão, ou se o contrário é que é verdadeiro. Talvez as duas opções estejam corretas, e em caso de apostas, a gente sabe, o importante é ganhar. Se passar do primeiro desafio do jogo único contra o Boavista em Saquarema no Rio de Janeiro em data ainda imprecisa, mas que certamente não dista 20 dias, a diretoria já venceu a aposta, e se querem sorrir quando chegar o apito final, é bom agir e trazer as peças que sabem que são necessárias, caso contrário, bem, é o caso de dizer que dentro da aposta incial tem outra aposta, a de que não precisa coisa nenhuma. É nesse ponto que é bom lembrar que quem manda são os donos da SAF, que é uma sociedade, uma empresa, e não tem que dar satisfação a ninguém, só aos torcedores, que são sócios, mas não são donos como acontecia com outros clubes no passado.
“Tenho acompanhado os jogos desde que batemos o martelo sobre minha contratação. Revi partidas, vi que conheço muitos atletas do elenco, mas a curto prazo, as soluções estão aqui; naturalmente queremos um elenco competitivo, e não queremos ninguém na zona de conforto, todo mundo com uma sombra”, explicou Egert.
Sobre o tempo que resta para preparar o time para o confronto com o Boavista no RJ pela Copa do Brasil, Egert disse que tem tempo suficiente para armar o time, e ressaltou que “nem tudo o que se fez nas últimas temporadas quando ganhou tudo estava certo, e do mesmo modo, nem tudo estava errado”, só não deu para entender sobre quais conquistas ele se referia.
Tem um outro ponto importante que precisa ser ressaltado na chegada de Egert. Ele chega sozinho, sem comissão técnica, sem auxiliar técnico e vai compor a comissão que já existe no clube. “Conversei com minha comissão técnica, e vamos acelerar processos, pular etapas e atuar com acertividade. Eu, e minha comissão técnica estamos muito preocupados com isso e temos vivido o Boavista 24 horas, porque é jogo de decisão; conheço muito bem o Boavista e conheço as ideias de seu treinador Gilson Kleina e vamos preparar o time para jogar em base a esse conhecimento”, argumentou o treinador.
Ao final da entrevista coletiva disse ainda que sabe que existia a intenção de realizar um ou dois amistosos, e que ele pensa em realizar pelo menos um, até porque será sua única ocasião de ver o time em ação antes do jogo pela Copa do Brasil sem ser pela televisão.
Antes de deixar a coletiva Egert repetiu; “O elenco é bom, o time é forte, mas a curto prazo vamos buscar as soluções em casa”. Depois admitiu que precisa de um lateral direito porque o time só tem o Gabriel e, que tem falado com a diretoria sobre zagueiros, e que vê nesse intervalo entre estaduais e nacionais, um momento propício para encontrar jogadores no mercado.
Egert comandou o primeiro treino do Dogão no sábado, e hoje depois da coletiva que começou às 8 da manhã, prosseguiu correndo contra o tempo e com as peças que tem. Se quem foi embora, foi pedindo soluções, quem chega, aceita “a curto prazo” jogar com o que tem, o que pode custar muito caro, porque reforçar é tentar, e deixar como está é uma aposta, assim como Egert é.



