Mobilização Integrada vistoriando estabelecimentos na avenida Sophia Rasgulaeff – foto: ASC/PMM
Há pouco mais de 60 dias do início do ciclo pandêmico da Covid-19 no território de Maringá, muitas pessoas perderam totalmente o respeito pelos decretos que regulam a vida da cidade nesse que talvez seja o período mais trágico da história contemporânea do Brasil. Na noite desse sábado, 23, a Prefeitura de Maringá colocou em prática, uma “mobilização integrada”, nome chique que encontraram para a fiscalização que levou para as ruas servidores municipais da GM, PM, fiscais, ao todo mais de 50 pessoas para tentar conter o descabido e crescente número de desobedientes que não estão nem aí para os decretos, nem aí para o sistema sanitário que pode colapsar, nem aí para quem quer voltar logo à normalidade, nem aí para a vida é nem aí para você. São só incivis.
A intenção da operação é boa, mas é como enxugar gelo, e serve mesmo só para inglês ver.

Equipes reunidas no 4° Batalhão de Policia Militar para a mobilização integrada prevista para durar até até de madrugada – foto: ASC/PMM
Enquanto os fiscais estão lá e cá, aqui é acolá acontecem coisas fora do comum. Foi assim durante a semana e ontem nem o frio impediu que isso também acontecesse em escala menor. Só para exemplificar, nos bairros da zona norte do grande Mandacaru tem de tudo, bares abertos até tarde, grupos fumando Narguilé nas calçadas, churrascos, festinhas privadas, baladinhas com carros de som e até rachas de motos e carros na Kakogawa e Colombo.
A operação de fiscalização desse sábado 23, teve como objetivo orientar os desobedientes, como se todo mundo nessa cidade não estivesse sido informado. A lógica da prefeitura é até compreensível. É importante evitar que a coisa termine como no período inicial de isolamento social, quando a fiscalização acabou encontrando pela frente no dia 07 de abril, o pepino do Lava a Jato do Alvorada. Naquela ocasião, um “mata leão” fez desmaiar um cidadão, que foi para na delegacia, no hospital e enfim parece que vai terminar na justiça. A coisa foi tão feia que o prefeito Ulisses Maia repudiou a ação que considerou violenta e mandou até recolher toda Guarda Municipal das ruas. Não me posiciono sobre quem estava com a razão, pois me parece que em fundo, se alguém tinha, perdeu, e por isso, antes de prosseguir falando da fiscalização de ontem à noite, 23, quero oferecer alguns dados aos teimosos e desobedientes.

Denúncia de festa em chácara na estrada Pinguim. Dono mao deixou equipes entrarem e fechou porta. Reforço foi chamado. foto: ASC/PMM
SÓ EM MAIO, 163 PESSOAS FORAM CONTAGIADAS PELO COVID-19 EM MARINGÁ
É incrível como num tempo em que se vê uns loucos clamando pelo retorno da ditadura e até do AI-5, vemos esses mesmos “uns” se mostrarem incapazes de obedecer à mínimas medidas restritivas. É óbvio que não compreendem que aquilo que dizem querer, não tem nada a ver com o que realmente querem; e como não entendem nem isso, prejudicam todo mundo, e se continuar assim, daqui a pouco conhecerão o “Lockdown”, que alguns deles já perguntam: Quem é ?
Só nos primeiros 22 dias de maio, pelas contas da Secretaria Municipal de Saúde foram registrados 163 novos casos, isso porque o protocolo do Ministério da Saúde indica que os municípios contabilizem somente os casos relativos a seus residentes. Se levamos em consideração os moradores de outras cidades que se contagiaram por aqui, aí seria necessário colocar mais uns 30 nessa conta, mas deixa para lá, essa é a regra.

Mobilização Integrada orienta proprietário de bar na Avenida Alexandre Rasgulaeff. foto: ASC/PMM
Os dados ainda não lhe convencem? Acha mesmo que é só uma gripezinha, então lhe oferecemos mais informações oficiais: Os novos contagiados só de domingo passado, 17 até sábado 23, são 102. Para que se compreenda como houve uma aceleração exponencial após o início da flexibilização dos decretos, até o dia 30 de abril, quadragésimo dia da Pandemia, o número de contagiados era de 87. Tivemos mais contagiados nessa última semana do que nos primeiros 40 dias. É mole bicho?
MAIS SORTE DO QUE JUÍZO
Se olharmos para a irmã Londrina, perceberemos que “temos realmente mais sorte do que juízo”. Por lá, a coisa tá feia; enquanto achamos normal nossos 6 mortos, nossos vizinhos choram 20, e “se Atene piange, Sparta non ride”, mesmo porque sorte uma hora acaba, e aí, vamos ter que chorar juntos.

Mobilização verificando denúncia de festa em casa no Jardim Alvorada. Aglomeração e som alto. foto: ASC/PMM
AS IMAGENS NÃO MENTEM
Voltando à fiscalização da noite passada em Maringá, ainda não foi fornecido um balanço oficial, mas as imagens falam por si. Além das festas em casas, como a da foto acima, há também bares que até tentam fazer com que seus clientes respeitem as regras, mas você já viu alguém “de fogo” tentando manter a máscara no rosto ?
A noite selvagem que a fiscalização encontrou lá no começo da Sophia Rasgulaeff, passou por festas e bares no Jardim Olímpico, Alvorada, Zona 7, Pedro Taques, na sempre problemática Rua Paranaguá e ainda teve que se deslocar até a uma chácara na estrada Pinguim, onde de acordo com informações da prefeitura, o dono do festa não deixou os fiscais entrarem e foi preciso até chamar reforço para acabar com a aglomeração.

Orientação em bar na Jd Alvorada – foto: ASC/PMM
Ontem, terminou tudo no papo, na base da orientação, assim como já foi nas operações que aconteceram na semana passada, mas as perguntam que ficam são:
E nos próximos dias ? Se com tanta gente participando de uma operação como essa, já foi impossível eliminar todos os focos de festas e bares abertos, como será nesta noite de domingo ? Poderá a prefeitura manter tais operações por tempo indeterminado ? Vamos conseguir mudar a mentalidade das pessoas que não entendem que mesmo que estejam entre os tais assintomáticos, não é o caso de levar a doença para casa ?
A resposta para a última pergunta vale R$ 1 milhão de dólares e talvez uma foto que mostra a batalha que um doente entubado com insuficiência respiratória trava por até 60 dias contra a morte. Deitado de barriga para baixo em uma UTI, a vítima do vírus não sabe que é uma máquina que respira por ela e que se escapar dali e quando escapar, acabará ficando com sequelas que muitas vezes são graves e que o acompanharão pelo resto daquilo que sobrou de sua vida precedente.
Boa sorte a todos. Eu fico em casa e nem é dito que só isso baste.

pacientes com COVID-19 entubados em UTIs




