Os 215 ingressos gratuitos para assistir ao espetáculo da Escola Pernambucana de Circo começaram a ser distribuídos meia hora antes do início da apresentação no saguão do Sesc de Maringá, e se esgotaram rapidamente. Embalados pelo manguebeat do cantor Chico Scienze, o baile acobrático da Trupe Circo Scienze encantou a adultos evoluídos, mas sobretudo à criançada que enxerga a beleza da arte sem fazer julgamentos.
Na magnifica moldura do Teatro Ali Wardani do Sesc de Maringá, Bruno Luna, Gabriel Marques, João Fernando, João Victor, Maria Karolaine e Ítalo Feitosa, que também dirige o espetáculo, exprimem talento e vigor ao realizarem figuras acrobáticas coletivas que exigem força, equilíbrio, expressão e ao mesmo tempo leveza.
Enquanto o público alterna palmas e gritos, no palco os artistas se movem sem parar em meio a luzes coloridas e imagens projetadas num fundo logo atrás de uma trave que completa o cenário da atração e onde acontecem as manobras mais ousadas e desafiadoras.
O ritmo crescente nos cerca de 60 minutos de exibição chega ao ápice quando os artistas convidam o público a subir ao palco para tomar parte do espetáculo. As crianças são as primeiras a subir porque muitas delas já se encontram sob o palco, em pés em poltronas ou fazendo piruetas nos corredores.
A folia do grande show termina com o grupo no alto da trave acrobática saudando aqueles que agora não são mais só público, mas parte do espetáculo. Em meio a música de Chico, o Scienze Circo conclui a apresentação que trouxe ao sul a coragem da arte negra e nordestina, abrindo a bandeira do estado de Pernambuco com seu arco-íris, cruz e estrela que representam perfeitamente a coragem da arte negra, periférica, gay e nordestina, que agregada à fé, liberdade e diversidade, encanta os puros e choca os estúpidos. O espetáculo “Do Mangue ao Picadeiro” é uma aula de brasilidade; é a alegria das crianças e, em um certo senso espelha a batalha de todo um povo que para sobriver, luta e se equilibra no baile da vida sem perder o sorriso, encantando os livres com um banho de inigualável qualidade Cultural e chocando os tolos com tapas de luva de pelica.
Sorte de quem foi e ficou até o fim.




