O evangelho deste 26º. Domingo do Tempo Comum, encontra-se no capítulo 21 do Evangelho de Mateus, que se abre com a entrada festiva de Jesus em Jerusalém, comemorada liturgicamente no Domingo de Ramos. Mateus recolhe do capítulo 21 ao 25 o embate cada vez mais duro entre Jesus e as autoridades religiosas e políticas dos judeus: os anciãos do Sinédrio, os sumos sacerdotes, os doutores da Lei e o partido dos Fariseus. São os últimos dias de sua vida e o cenário é a cidade de Jerusalém e o templo, de onde Jesus expulsa os vendilhões.
A pequena parábola dos dois filhos chamados pelo pai para trabalhar na sua vinha (Mt 21, 28-32), é proposta aos sacerdotes e anciãos do povo, com uma pergunta provocativa: “O que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa.
Este respondeu: ‘Sim, Senhor, eu vou.’ Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do Pai? Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: ‘O primeiro’” (21, 28-31). Jesus vai, então, contrapor aqueles que se consideravam os donos da religião, falavam em nome de Deus e se diziam os guardiões da pureza legal, aos homens e mulheres mais desacreditados e discriminados, religiosa e socialmente: os publicanos e as mulheres, vítimas da prostituição. Sentencia, então, com toda clareza:
“Em verdade, vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (21, 31b-32). A parábola abre um caminho de esperança para os social e religiosamente excluídos e já condenados pelas autoridades religiosas de ontem e de hoje:
Essas pessoas surgem a cada passo à passagem de Jesus: a mulher acusada de adultério, que ouve de Jesus: “Ninguém te condenou? Eu também não te condeno. Vai e não peques mais (Jo 8, 1-11). O cobrador de impostos, Zaqueu, a quem Jesus diz, depois de ele declarar que vai devolver quatro vezes a mais a quem extorquiu e dar a metade dos seus bens aos pobres: “Hoje a salvação entrou na tua casa” (Lc 19, 1-10). O publicano que, na porta do templo, diferente do fariseu, nem ousava levantar os olhos, batia no peito e dizia: “Deus, sê indulgente comigo, pecador”.
E Jesus conclui: “Eu vos digo que este voltou para casa absolvido, o outro, não. (Lc, 18, 9-14). A mulher, que lava os pés de Jesus com suas lágrimas e os enxuga com os seus cabelos e o ouve dizer ao fariseu, Simão: ”Por isso, te digo que lhe foram perdoados muitos pecados, já que sente tanto afeto”.
Ouve ainda de Jesus: “Tua fé te salvou. Vá em paz” (Lc 7, 36-50). Para finalizar, recorro ao comentário de Pagola:, “Todos nós devemos perguntar-nos com sinceridade o que significa realmente Deus em nosso viver quotidiano. O que se opõe à verdadeira fé não é muitas vezes a incredulidade, mas a falta de coerência. Nós cristãos não deveríamos ignorar que não cremos com o que dizemos com os lábios, mas o que expressamos com nossa vida inteira”.



