A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann destacou nesta terça-feira (1º), em entrevista ao vivo no telejornal Meio Dia Paraná, da RPC, que seu mandato no Senado será utilizado para amplificar o enfrentamento à violência contra as mulheres. A candidata ainda garantiu que será uma voz firme dos interesses do Paraná, articulando as forças políticas, setor produtivo e forças sociais visando impulsionar o desenvolvimento do Estado, e que “política não pode ser só uma discussão ideológica, é preciso ter entregas reais para a população”.
Primeira mulher eleita senadora pelo Paraná em 2010, Gleisi disse que o Estado precisa de uma representante com firmeza, coragem e capacidade de articulação no Senado. “Eu fui senadora com Requião, Álvaro Dias, Osmar Dias. Nós fazíamos debates políticos, mas tínhamos presença forte no Estado. Articulávamos as forças políticas, empresariais, trazíamos entregas para o Paraná. A política não pode ser só uma discussão ideológica. Faz parte ter posicionamentos, mas tem que entregar resultados para a população”, defendeu.
Ela ressaltou que vai representar as mulheres paranaenses e que seu mandato será utilizado para amplificar o enfrentamento à violência contra elas. “Meu mandato vai ser um mandato para enfrentar a violência contra a mulher. Não é possível as mulheres serem vítimas de violência. Nós não vamos viver numa sociedade equilibrada enquanto as mulheres forem mortas por serem mulheres, enquanto forem discriminadas, enquando não forem respeitadas. As mulheres precisam estar nas posições de comando e de decisão do nosso País e do Estado.”
Gleisi enfatizou que foi relatora da Lei do Feminicídio e elaborou, como ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.
“No Pacto, nós fizemos três coisas importantes, que vou amplificar no Senado, porque é um compromisso como mulher. Primeiro, a Operação Mulher Segura, que já prendeu mais de 34 mil agressores de mulheres desde março. Segundo, uso da tornozeleira eletrônica. Agressor de mulher tem que ser preso e usar tornozeleira. E, terceiro, a concessão de medidas protetivas pelo Judiciário, que caiu em média de 14 dias para 48 horas e vamos baixar para 24 horas.”
Fim do 14 e 15 salário de deputados e senadores
A candidata ressaltou que uma das primeiras iniciativas de seu mandato no Senado foi o projeto pelo fim do 14º e do 15º salários pagos a deputados e senadores. “Eu cheguei no Senado depois de ser eleita e perguntei, ‘como é que deputados e senadores ganham 14º e 15º e trabalhadores brasileiros só ganham o 13º?’ Foi uma briga, mas conseguimos aprovar. É com esse mesmo compromisso que queremos retomar ao Senado”.
Segurança nas estradas
Durante a entrevista, Gleisi defendeu medidas para reduzir mortes e acidentes nas estradas, como a fiscalização pela velocidade média dos veículos. Segundo ela, países europeus já utilizam esse modelo de fiscalização. A candidata também propôs maior controle sobre as empresas de transporte, especialmente em relação ao excesso de carga.
Gleisi disse que, como senadora, vai defender a criação de uma comissão especial para discutir a legislação de trânsito em articulação com o trabalho já desenvolvido na Câmara. “Eu tenho compromisso com essa pauta, porque eu sei que ela importa na vida das pessoas.”
Fim da escala 6×1
A candidata ainda se manifestou a favor do fim da escala 6×1 que, segundo ela, afeta principalmente as mulheres, por terem dupla e tripla jornada de trabalho. “Ter apenas um dia por semana de descanso está deixando as mulheres estafadas, doentes. Quando fizemos
a discussão sobre 13º salário, férias de 30 dias, licença maternidade, licença-paternidade, disseram que tudo isso ia quebrar a economia. E não quebrou”, defendeu.
Proibição da exportação de gado vivo
Gleisi também defendeu o projeto de lei de sua autoria que proíbe a exportação de animais vivos destinados ao abate ou à engorda para posterior abate no exterior. Segundo ela, a medida visa a proteção do bem estar dos animais e pode gerar R$ 2 bilhões em ganhos econômicos para o País, ao agregar valor nas etapas de abate, processamento, logística, comércio e aproveitamento de subprodutos.
“Primeiro, eu acho uma judiação a exportação de gado vivo. Quando chega no destino, uma parte morre, outra parte chega machucada, sem cuidado. O Paraná tem uma das maiores indústrias de processamento de carne. Se a gente processar a carne aqui, o valor agregado chega a quase R$ 2 bilhões. A gente tem que vender carne com valor agregado na nossa produção. Faz o abate aqui, processa aqui, emprega trabalhadores aqui, gera riqueza aqui”, afirmou.




