O evangelho deste domingo conduz-nos para os arredores de Jerusalém, a uma casa de amigos de Jesus que o acolhiam quando de passagem pela Judeia. São os últimos dias da vida de Jesus e o episódio é narrado apenas pelo evangelista João (Jo 11, 1-45). “Havia um doente, Lázaro, que era de Betânia, o povoado de Maria e de Marta, sua irmã. Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume e enxugara os pés dele com seus cabelos. O irmão dela, Lázaro, é que estava doente” (Jo 11, 1-4). Jesus que se afastara de Jerusalém, por causa das ameaças de morte, tarda dois dias para voltar para a Judeia. Encontra oposição dos discípulos que o interpelam: “Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te e agora vais outra vez para lá?” (11, 8). O evangelho ainda nos revela os laços de afeto e amizade que uniam aqueles irmãos a Jesus: “Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro” (11. 5). Diante de decisão de Jesus, “Tomé disse aos companheiros: ‘Vamos nós também, para morrermos com ele’” (11, 16). Marta, irmã de Lázaro vai ao encontro de Jesus na entrada do povoado. Dirige-se a ele com uma palavra de dor e reprovação, mas também de esperançosa confiança: “Se estivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido, mas mesmo assim eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá. Respondeu-lhe Jesus: ‘Teu irmão ressuscitará. Eu sei disse Marta que ele ressuscitará na ressurreição no último dia.
Então Jesus disse: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Cres isto?’” (11-21).
E, na linha da Samaritana, que entrevê que Jesus seja um profeta e mesmo o Messias esperado, e na sequência do cego de nascença que confessa ser Jesus o Messias, Marta responde, sem pestanejar: ‘Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu es o Messias, o Filho de Deus que devia vir ao mundo’” (11, 23-27). No evangelho de João, não é Pedro ou algum dos discípulos que reconhece a messianidade de Jesus, mas sim as mulheres, uma delas samaritana e um cego de nascença que confessam ser ele o enviado de Deus. Maria, sempre impetuosa e apaixonada, não corre para Jesus, mas fica sentada em casa, bem sentida e emburrada. Precisou Marta ir até ela e com muito jeito e delicadeza dizer-lhe baixinho, pois estava rodeada de muita gente que viera consolá-la: “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11, 28). “Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. Jesus estava ainda fora do povoado, no mesmo lugar, onde Maria tinha se encontrado com ele. Os judeus que estavam em casa, consolando-a, quando a viram levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para ali chorar. Indo para o lugar onde estava Jesus, quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: ‘ Senhor, se estivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido’. Jesus a viu chorar e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido e perguntou: ‘Onde o colocastes?’ Responderam: ‘Vem ver, Senhor’. E Jesus chorou. Então os judeus disseram: ‘Vede como ele o amava’. Alguns, porém, diziam: ‘Este que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?’” (11, 29-32). A parte final do relato, do lado de fora do túmulo onde Lázaro estava sepultado há quatro dias, mostra Jesus profundamente comovido, que pede que seja removida a pedra da entrada da caverna e reza levantando os olhos para o céu: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tudo me enviaste” (Jo 11, 42). “Tendo dito isto, exclamou com voz forte: ‘Lázaro, vem para fora’. O morto saiu, atado de mãos e pés, com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Então, Jesus lhes disse: ‘Desatai-o e deixai-o caminhar’ (Jo 11,43-44). A ressurreição de Lázaro é prelúdio e sinal antecipado da ressurreição do próprio Jesus. Neste final de quaresma a ordem de Jesus a Lázaro, é dirigida também a nós: “Vem para fora”. Ficamos cada vez mais entocados em nossas casas, querendo alhear-nos deste mundo tão convulsionado e sem ânimo para levar adiante a proposta de Jesus do seu reino de justiça e de paz. Precisamos também nos livrar de tantas amarras que nos imobilizam e nos impedem de nos levantar, de caminhar e de seguir os passos de Jesus. A samaritana, o cego de nascença, e a ressurreição de Lázara, são sinais luminosos do nosso próprio batismo. Que eles acompanhem nessa caminho para a Páscoa e para uma vida nova de ressuscitados.



