Interrompemos a sequência dos domingos do tempo comum, em que se usa a estola de cor verde, para acolhermos uma festividade maior, a da dedicação da Basílica de Latrão. Ela é considerada mãe de todas as Igrejas, por ser a catedral da diocese de Roma e, por isso mesmo, do seu bispo, de Pedro, o primeiro Papa até Leão XIV, atualmente. É o dia de prezarmos também com muita gratidão e carinho as igrejas das nossas comunidades, lá onde nos reunimos para rezar, onde nossos pais se casaram, onde fomos batizados, tomamos a primeira comunhão: as matrizes, mas também as capelas dos bairros das cidades e da zona rural e os pequenos altares, ou apenas um quadro, imagem ou crucifixo diante dos quais oramos com as crianças em nossas casas. Esses lugares relembram para nós a presença de Deus no meio de nós, em nossa vida quotidiana. Na primeira leitura dessa celebração, o profeta Ezequiel fala das águas que brotam do templo de Jerusalém e correm para o deserto em direção ao vale do rio Jordão (Ez 47, 1-2, 2.8-9. 12). Por onde passam, trazem vida. Às suas margens crescem toda espécie de árvores frutíferas e as águas salgadas do mar morto voltam a pulular de peixes. A caminho da COP30, o profeta Ezequiel nos convida, a partir da nossa fé, a tomarmos em nossas mãos o cuidado com todas as criaturas, com nossa Casa comum, com a vida ameaçada e a dizermos não à cultura da violência e da morte. No evangelho, o evangelista João (2, 13-22), traz-nos enorme surpresa. Desloca para a primeira semana da vida pública de Jesus, o que Marcos (11, 15-18), Mateus (21, 10-17) e Lucas (19, 45-48) situam na última semana de sua vida: seu embate com os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas amontoados no primeiro pátio do templo de Jerusalém. João diz que Jesus “fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou a mesa dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isto daqui! Não façais da casa do meu Pai uma casa de comércio’” (2, 15-16). Os judeus interpelam Jesus: “Que sinal nas mostras para agir assim? Ele respondeu: ‘Destruí este templo e em três dias o levantarei’. Os judeus disseram: ‘Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?’ Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele” (2, 18-22). Jesus deixa claro neste violento embate com o templo transformado de casa de oração em mercado, num conluio entre sacerdotes, fazendeiros de gado e ovelhas, comerciantes e cambistas, com exclusão dos pobres. Mateus os introduz de volta nesta mesma cena, dizendo que cegos e coxos se aproximaram de Jesus e ele os curou (Mt 21,14). Para João, a verdadeira morada de Deus deslocou-se do templo contaminado pelo dinheiro e transformado num covil de ladrões, para a humanidade de Jesus, para o seu corpo, que foi morto pelos donos do templo, mas que foi por Deus ressuscitado. E Paulo irá recordar a nós que fomos batizados: “Acaso não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus, mora em vós?” (1 Cor, 3, 16).
13 de dezembro é dia de Santa Luzia
O nome de Santa Luzia deriva do latim e significa: Portadora da luz. Ela é invocada pelos fiéis como a protetora dos...
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