Jesus encontrou uma constante e crescente oposição ao que dizia e, sobretudo, ao que fazia: curar em dia de sábado, sentar-se à mesa com publicanos e pecadores, acolher mulher pagã e curar sua filha, ir comer e pedir pouso na casa de Zaqueu, um cobrador de impostos odiado pelo povo. Esta animosidade de fariseus, escribas e doutores da lei continuou atormentando as primeiras comunidades de judeus que passaram a seguir Jesus, até o momento em que foram todas elas expulsas das sinagogas. Quando Jesus apresentou seu programa no Sermão da Montanha, ele trocou “mandamentos” por “felicidades”: felizes os pobres, felizes os aflitos, felizes os puros de coração, felizes os promotores da paz, felizes, quando vos perseguirem, por causa de mim. A cada grupo dessas pessoas, prometeu o Reino dos céus, o reinado do seu Pai, bem diferente da opressão e desamparo a que estavam submetidas. A pergunta que ficava no ar era óbvia: Isto significa que Jesus estava ignorando e abandonando os mandamentos, a Lei e os Profetas? Face às dúvidas e perplexidades levantadas pelo próprio João Batista que mandara perguntar a Jesus se ele era mesmo o Messias ou deviam esperar um outro, temos no evangelho de hoje a solene afirmação de Jesus: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5, 17-37). Para os que estavam entrando nesse novo território do Reino de Deus, significava uma mudança profunda no coração, nas atitudes e no relacionamento com os demais irmãos e irmãs e empenho em estabelecer a justiça. Jesus vai exemplificar essa mudança, contrapondo o que se encontrava escrito na Lei e o que ele agora propunha, como seu “pleno cumprimento”: “Porque eu vos digo, se a vossa justiça não for maior do que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (5, 20). Começa, então, Jesus, pelo radical compromisso com a vida, a vida de todas as pessoas, sobretudo das mais desamparadas e descartadas: “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás!’ Quem matar será condenado pelo tribunal. Eu, porém, vos digo, todo que se encoleriza com seu irmão, será réu em juízo; quem disser ao seu irmão ‘patife’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de tolo, será condenado ao fogo do inferno’ (5, 21-22). Podemos parar um pouco e nos perguntar a nós mesmos: por que cresceu tanto entre nós a agressividade dentro de casa, no trabalho, na rua, nas redes sociais e mesmo dentro das igrejas? Por um nada, já alteramos a voz, saímos gritando, xingando, ameaçando, agredindo e mesmo matando, como mostra a disparada dos feminicídios. E nem é preciso citar o que vem acontecendo no trânsito, nos estádios de futebol. Disparou o número de mortos e feridos ao atravessar a faixa de pedestres, por acidentes nas estradas que, certamente vão se multiplicar, neste feriado de carnaval. Chegamos ao número de cerca de 50 mil mortos por ano, nas estradas e ruas das cidades por acidentes causados por excesso de velocidade, pelo criminoso uso de bebida alcoólica e também do celular, enquanto se está dirigindo. Jesus toca então na ferida de comportamentos que julgamos que nada tem a ver, um como o outro: a separação entre ritos religiosos e a própria vida. “Portanto, quando tu estiveres levando tua oferta para o altar e aí te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só, então, vai apresentar a tua oferta” (5, 23-24). Que o tempo de preparação para a Páscoa da Ressurreição, que iniciamos logo mais nesta semana, como graça e momento favorável, nos ajude a rever nossa vida e fortalecer nosso compromisso com a justiça, a bondade, a partilha e verdadeira mudança no modo de tratarmos cada pessoa em casa, no trabalho, na comunidade e na vida social e política.
07 de Março é dia das Santas Perpétua e Felicidade
Origens Muitas mulheres, jovens, mães, foram martirizadas no ano 203, em Cartago (norte da África, atual cidade de Túnis). Dentre...
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