O evangelho deste 5º. Domingo da Quaresma (Jo 8, 1-11), é o último antes de ingressarmos na Semana Santa com o Domingo de Ramos. O cenário é a festa das Tendas, que marcava o fim das colheitas.
Era celebrada com muita alegria e as pessoas iam acampar sob tendas, pois o afluxo era tão grande, que Jerusalém não conseguia abrigar tantos peregrinos (Jo 7, 1-53). Devido à hostilidade reinante na Judeia contra Jesus, onde seus inimigos queriam mata-lo, ele não se juntou à multidão de peregrinos, mas subiu mais tarde buscando manter o anonimato (7, 10). Foi, porém, reconhecido e logo muita gente se aglomerou para ouvi-lo, em meio à controvérsia se ele era ou não o Messias esperado, se as autoridades estariam concordando com ele. Na verdade, estas despacharam guardas para prendê-lo. Ao entardecer, Jesus retirou-se para o monte das Oliveiras, mas cedinho estava de volta no templo. Atraiu de novo muita gente. Mestres da Lei e fariseus, à procura de motivo para acusar Jesus, arrastam uma mulher surpreendida em adultério, colocam-na no meio da multidão e começam a interrogar a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” (8, 1-11). Podíamos nos perguntar: Se foi em flagrante, porque não trouxeram junto o homem apanhado cometendo adultério com ela? Jesus, porém, em silêncio se inclina e começa a escrever com o dedo no chão. Diz o evangelho: “Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra. E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão” (8, 6). Conhecemos bem a sequência: “E eles ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos e Jesus ficou sozinho com a mulher que estava lá no meio do povo. Então Jesus se levantou e disse: ‘Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?’ Ela respondeu: ‘Ninguém, Senhor’. Então Jesus lhe disse: ‘Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante, não peques mais’” (8, 8-11). Podemos nós mesmos, nos interrogar: Somos dos que se deixam atrair por Jesus, por seu ensinamento e sua prática e nos juntamos a seu redor para escutá-lo e segui-lo, ainda que imperfeitamente? Ou somos daquelas pessoas, mesmo muito religiosas e devotas, mas que se tornam hostis à pregação de Jesus, ao seu amor para com os últimos, aos seus gestos de acolhida a pecadores e pecadoras e que a estes, gostariam de expulsá-los de seu convívio e até mesmo apedrejá-los? Ou somos ainda como aquela mulher, salva pelo amor e compaixão de Jesus, dispostos a nos converter e mudar de vida nesta quaresma? A esse respeito, comenta Pagola: “Jesus se dirige àquela mulher humilhada com ternura e respeito: ‘Também eu não te condeno”. Vai, continua caminhando em tua vida e, ‘de agora em diante, não peques mais’. Jesus confia nela, deseja-lhe o melhor e a anima a não pecar mais. De seus lábios não sairá nenhuma condenação. Quem nos ensinará a olhar hoje a mulher com os olhos de Jesus?”.