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Para aquela multidão que acorreu de todas as partes, vindo “da Galileia, Decápole, Jerusalém, Judeia e Transjordânia” (Mt,4, 25), Jesus anunciou concretamente para quem era o Reinado de Deus. Aos empobrecidos, afligidos, despossuídos e aos que tem fome e sede de justiça pertence o Reino do seu Pai e eles serão saciados, consolados e suas lágrimas serão enxugadas. Fala ainda dos misericordiosos, dos limpos de coração e dos que constroem a paz, mesmo que sofram perseguição por causa de justiça (5, 3-10). Recorre então à experiência quotidiana das mulheres que preparam a comida na casa. Se falta o sal, como irão dar sabor ao arroz, ao feijão, ao guisado, à sopa”? Vão ouvir, na mesma hora, a reclamação: “está sem gosto”, “está sem sal”. Jesus vai dizer àqueles pobres, enfermos, cegos e paralíticos e aos discípulos: “Vocês são o sal da terra” (5, 13). O sal dá sabor, mas é também o que preserva da corrupção e podridão. Os pescadores da beira do lago sabem muito bem que se quiserem guardar o peixe que pescaram, terão que salga-lo. Na roça e no sertão, onde não tem geladeira, a carne é salgada e pendurada no sol. São as nossas comunidades e também cada um de nós, sal que conserva e dá sabor e alegria? Ou nos tornamos insossos, sem brilho e entusiasmo, incapazes de se opor à pequena e grande corrupção na política, na economia, nas relações sociais e na vida da comunidade eclesial? Nos tornamos, mesmo sem querer, sal que perdeu seu sabor, precisando ouvir a advertência de Jesus: “Serve somente para ser jogado fora, para que as pessoas o pisem?”(5, 13). Para a comparação seguinte, Jesus toma o exemplo da luz e lança seu olhar para bem longe, para o vasto mundo, mas também para a cidade e o bairro onde moramos e finalmente para o interior de nossa casa: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Não se acende uma lamparina para tapá-la com uma vasilha, mas para coloca-la no candelabro, para que ilumine todos os que estão na casa”. E nos faz uma convocação: “Brilhe vossa luz diante dos homens, de modo que ao ver vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai do céu” (5, 13-16). O profeta Isaias, em tempos de muita treva e desesperança, não muito diferentes dos que estamos vivendo hoje, traz pistas concretas de como seguir Jesus na prática das bem-aventuranças por ele proclamadas: “Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, Acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrardes um nu, cobre-o e não desprezes a sua carne. Então brilhará a tua luz, como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa: À sua frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá” (Is 58, 7-8).



