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Paciente do Hospital Universitário do Oeste do Paraná recebe dose da Polilaminina

A aplicação no Hospital Universitário do Oeste do Paraná foi autorizada por meio do uso compassivo, mecanismo regulado pela Anvisa, que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando não há alternativas eficazes disponíveis e o paciente atende a critérios rigorosos.

Por O Fato Redação
25/02/2026
em PARANÁ
FOTO: HUOP/PR

FOTO: HUOP/PR

O Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) realizou no último sábado (21) um procedimento com polilaminina. Um paciente de 23 anos sofreu um acidente recente que resultou em um trauma raquimedular grave. Ele precisou passar por cirurgia de descompressão das vértebras T3 e T4, além do tratamento de ruptura da T3. Após o procedimento inicial realizado pela equipe do HUOP, a avaliação clínica apontou que ele preenchia os critérios para solicitação da aplicação do medicamento.

A aplicação foi autorizada por meio do uso compassivo, mecanismo regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando não há alternativas eficazes disponíveis e o paciente atende a critérios rigorosos. O medicamento é desenvolvido pelo Laboratório Cristália através de pesquisa liderada pela bióloga e pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O neurocirurgião e professor da Unioeste Lázaro de Lima explica que a indicação foi cuidadosamente analisada. “Ele sofreu um acidente recente, passou pela descompressão de T3 e T4 e tratamento da ruptura de T3. Após a estabilização, avaliamos que ele tinha critérios para receber a polilaminina. Organizamos toda a documentação necessária e solicitamos à Anvisa a liberação para uso compassivo”, disse.

Lesões medulares, como a que acometeu o paciente, costumam provocar comprometimento motor e sensitivo abaixo do nível da lesão. A vértebra T3 está localizada na porção superior da coluna torácica. Danos nessa região podem afetar tronco e membros inferiores, impactando diretamente a autonomia do paciente.

É nesse cenário que a polilaminina surge como uma possibilidade científica. A proposta do produto é atuar como uma matriz biológica capaz de favorecer a reconexão neural, criando um ambiente mais propício para regeneração das fibras nervosas lesionadas. Ainda não se trata de um tratamento aprovado comercialmente, mas de uma alternativa experimental baseada em anos de pesquisa.

O fator tempo é determinante. Em lesões medulares agudas, como neste caso, ainda não há formação de fibrose extensa, uma espécie de cicatriz que cria uma barreira física à regeneração. Essa “janela biológica” aumenta a relevância da intervenção precoce.

Arthur Luiz Freitas Forte, médico que integra a equipe de pesquisa, ressalta a responsabilidade envolvida. “O paciente e a família foram informados de que o medicamento ainda está em fase inicial de estudo. Existe um protocolo rigoroso. Não se trata de promessa, mas de possibilidade científica. Mesmo assim, eles demonstraram confiança e desejaram seguir”, disse.

Após a aplicação, o trabalho está longe de terminar. O paciente seguirá com acompanhamento clínico rigoroso, exames periódicos e reabilitação multiprofissional. Fisioterapia intensiva, avaliações neurológicas e monitoramento de possíveis respostas motoras farão parte da rotina.

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

 Coordenando o curso de Medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Marcius Benigno M. dos Santos destacou que o momento reforça a essência do hospital universitário. “Aqui conseguimos unir assistência, ensino e pesquisa. A residência é uma força fundamental dentro do hospital, e participar de um estudo como esse transforma a formação desses médicos. É preciso manter os pés firmes na ciência, porque ainda é uma fase inicial, mas sem nunca perder a esperança”, afirmou.

O diretor geral do HUOP, Rafael Muniz de Oliveira, destacou o protagonismo institucional da unidade. “O HUOP tem sido pioneiro nos últimos anos em diversas ações, foi assim durante a pandemia da Covid-19 e agora com a aplicação da polilaminina em um paciente internado aqui neste fim de semana. Nossa equipe está sempre em busca de recursos que a ciência nos possibilita, dando prioridade para o paciente e para toda nossa região. Seguimos orgulhosos e comprometidos com nosso trabalho, que vem sendo apoiado pela Secretaria de Saúde do Estado”, afirmou.

POLILAMININA

A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da laminina, proteína que já existe no corpo humano e é encontrada em grande quantidade na placenta. No sistema nervoso, ela ajuda no crescimento dos axônios, que são partes dos neurônios responsáveis por transmitir os impulsos nervosos. Quando ocorre uma lesão na medula, esses axônios podem ser danificados.

Pesquisas experimentais com polilaminina mostraram resultados animadores. No começo do ano a Anvisa autorizou o início do estudo clínico de fase 1 para avaliação de segurança do uso para o tratamento de trauma raquimedular agudo. Recentemente os casos de pacientes que receberam o medicamento ganharam mais projeção após a divulgação de um estudo preliminar da UFRJ, liderado pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, com oito pacientes.

De acordo com as regras da Anvisa, se todas as fases em desenvolvimento tiverem sucesso, será possível pedir o registro sanitário da polilaminina e, após a aprovação, o medicamento passa a ser comercializado.

em atualização

AEN/PR

Tags: anvisaarthur forteciênciacirugiaoevoluçãogoverno do Paranáhospital universitario oeste do paranahuoplesao medularmedicamentoneurocirurgiaoparalisiapolilamininatataina sampaioufrjuniversidade estadualvetebra
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