Era um Aldori abatido pelo sono mal dormido aquele que se apresentou na manhã desta sexta-feira (27) na sala de imprensa do Ginásio de Esportes Chico Neto para a entrevista coletiva que tinha como objetivo esclarecer o impasse que se criou depois que a Prefeitura de Londrina avançou uma proposta econômica para levar o time feminino do Sancor Vôlei para a cidade vizinha.
Aldori não escondeu a tensão que a situação criou, mas explicou que é preciso enfrentar o tema porque a proposta de Londrina é muito mais alta economicamente e a cidade também estaria oferecendo melhores condições estruturais para receber a equipe que no próximo ano deve disputar mais uma vez a Superliga Nacional A, Copa do Brasil e Campeonato Paranaense.
“Quando assumimos o time, sabíamos do desafio e mesmo com muita gente nos dizendo para não aceitarmos a proposta, porque não seria possível realizar um bom trabalho com tão pouco dinheiro, nós aceitamos, e com jogadoras ainda desconhecidas, praticamente amadoras, conseguimos levar o time até a Série A da Superliga, só que as promessas que nos fizeram sobre melhorias, ficaram só na conversa”, explicou o treinador.
Atualmente, a prefeitura de Maringá repassa R$ 450 mil por ano para a Associação AMA VÔLEI, mas os recursos só podem ser aplicados para manutenção das categorias de base que no largo de 5 anos de atividade saltou de 80 para 400 alunos.
“E temos uma fila enorme de crianças e jovens entre 8 e 21 anos querendo participar da escolinha; estamos fazendo de tudo para ampliar o projeto que está rendendo bons frutos para o esporte da cidade”, pontuou o treinador.
Entre as reivindicações da gestão do time, estão melhorias no piso da quadra que é considerado inadequado e também a reativação do sistema de ar condicionado do Chico Neto, mas não é só isso; Aldori explica que ninguém quer deixar Maringá, porque isso significaria o fim do projeto com a base, e além disso, comissão técnica e jogadoras já estão estabelecidos na cidade e uma mudança completa comportaria muitas dificuldades. Além disso, tem o ponto principal da reivindicação; segundo Aldori, desde 2019, quando o time começou a disputar a Superliga A, os membros da Comissão Técnica recebem somente ajuda de custo e precisam trabalhar em academias para completar o salário que não basta.
“Alguns dos membros da Comissão Técnica começam a trabalhar em academias às 6 da manhã e trabalham até 9h45, e depois vêm até o Chico Neto para o treinamento do time e a tarde voltam para trabalhos em academias e no fim da tarde voltam ao ginásio para novos treinamentos com a equipe. Quando criamos o sonho da Superliga, passamos a viver de sonhos; subimos da Superliga C para a B, depois para a B, e enfim para a A, onde ficamos, mas as condições econômicas continuaram as mesmas. Enquanto as atletas recebem salários pagos pelo setor privado, os profissionais da Comissão trabalham recebendo subsídios. Estamos numa das maiores competições de voleibol do mundo, com atletas renomados, mas ainda recebemos tratamento de amadores”, desabafou Aldori que lembrou que em um determinado momento teve que recorrer a recursos seus para sanar dívidas do time e impedir que o sonho acabasse”, argumentou Aldori
A Prefeitura de Londrina deu tempo a Aldori até o fim da Superliga para que ele responda se aceita ou não ir de mudança para lá, já a prefeitura de Maringá através do próprio prefeito Silvio Barros, explica Alison Pereira – diretor técnico da secretaria de Esportes, pediu tempo até segunda-feira (30), para resolver a questão e manter o time na cidade. O Sancor entra em quadra em Belo Horizonte no dia 31 às 21h para enfrentar o Minas na primeira das três possíveis partidas do playoff da Superliga 2025/2026. A segunda partida está marcada para dia 3 de abril, ás 21h no Chico Neto, e se for necessário, a terceira e decisiva partida acontecerá na quarta-feira- dia 8 novamente na Arena UniBH em Minas Gerais.
Apesar do grande problema que o time enfrenta dentro de quadra, Aldori garante que elenco não foi contaminado e que as jogadoras continuam focadas somente nos treinamentos e nas partidas decisivas contra o Minas nos playoffs.



