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Insegurança alimentar cresce no mundo e pode se agravar

Relatório alerta para aumento de episódios de fome extrema e desnutrição severa; apenas 10 países abrigam dois terços de todas as pessoas afetadas; conflitos, variabilidade climática e incerteza econômica podem agravar condições este ano; estudo ressalta impactos de ciclones e chuvas em Moçambique.

Por O Fato Redação
02/05/2026
em INTERNACIONAL
SECA SEVERA NA ETIÓPIA:  Milhões de pessoas em insegurança alimentar

A insegurança alimentar aguda dobrou na última década e duas crises de fome foram declaradas no ano passado, segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026.

O documento, lançado nesta sexta-feira pela Rede Global Contra as Crises Alimentares, ressalta que a insegurança alimentar permanece altamente concentrada, com apenas 10 países abrigando dois terços de todas as pessoas afetadas.

Chuvas e inundações prejudicaram Moçambique

Eles são Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Mianmar, Nigéria, Paquistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen.

Dentre os países lusófonos, Moçambique é citado no relatório, como um contexto de crise nutricional moderada. Isso pode indicar níveis mais baixos de desnutrição aguda ou uma maior capacidade nacional para prevenir uma deterioração adicional.

O documento enfatiza que chuvas intensas desde dezembro de 2025 provocaram inundações severas em diversas províncias de Moçambique, causando deslocamentos e devastando terras agrícolas.

A segurança alimentar no país também foi abalada pelo impacto de ciclones, pragas e pelo conflito na província de Cabo Delgado.

Escalada nas formas mais extremas de fome 

Crises de fome foram identificadas no ano passado em Gaza e em partes do Sudão pelo Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC.

Esta é a primeira vez, desde que o relatório começou a ser produzido, que duas crises desse tipo foram confirmadas em dois contextos distintos no mesmo ano.

Segundo os autores, isso sinaliza uma forte escalada nas formas mais extremas de fome e desnutrição, impulsionada principalmente por conflitos e acesso humanitário restrito, e agravada pelo deslocamento forçado.

No total, 266 milhões de pessoas em 47 países ou territórios experimentaram altos níveis de insegurança alimentar aguda em 2025, representando quase 23% da população analisada. Essa proporção foi ligeiramente maior do que em 2024 e quase o dobro da parcela registrada em 2016.

85 milhões de pessoas deslocadas à força

Somente em 2025, cerca de 35,5 milhões de crianças sofreram de desnutrição aguda, incluindo quase 10 milhões em quadro severo.

Quase metade dos contextos de crise alimentar também enfrentou crises nutricionais, refletindo os efeitos combinados de dietas inadequadas, carga de doenças e falhas em serviços essenciais.

Nos contextos mais severos, incluindo Gaza, Mianmar, Sudão do Sul e Sudão, esses choques resultaram em níveis extremos de desnutrição e riscos elevados de mortalidade.

Além disso, o deslocamento forçado continuou a agravar a insegurança alimentar. Mais de 85 milhões de pessoas foram deslocadas à força em contextos de crise alimentar em 2025, incluindo deslocados internos, solicitantes de asilo e refugiados.

Perspectiva para 2026

Olhando para o futuro, o relatório alerta que níveis severos de insegurança alimentar aguda continuam críticos em múltiplos contextos em 2026.

O documento afirma que conflitos, variabilidade climática e incerteza econômica, incluindo riscos para o comércio de alimentos, provavelmente sustentarão ou agravarão as condições em muitos países.

A Rede Global Contra as Crises Alimentares é uma aliança internacional das Nações Unidas; da União Europeia; do Ministério da Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Alemanha; do Escritório de Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido; do Governo da Irlanda; do Grupo g7+; agências governamentais e não governamentais.

ONU NEWS

Tags: africaasiafomeinsegurança alimentaromsonupobrezarelatório
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