O NEGÓCIO É O SEGUINTE: Luiz Cruz não é mais técnico do Galo Maringá, e quem pode explicar uma decisão como essa, num momento como esse ? Tem quem pode, mas quem pode não o fez, só anunciou.
Há dois dias do derby da ida pelo Torneio da Morte uma notícia cai como uma bomba no mundo do futebol maringaense. Luiz Cruz não é mais técnico do Galo Maringá. A decisão foi informada com uma Nota Oficial publicada no Instagram do clube.
No texto, a diretoria se limita a dizer que Cruz não é mais técnico do Galo, e que junto com ele, sai também o analista de desempenho Juliano Oliveira.
Enfim, o clube agradece o trabalho dos profissionais, e só.
Cruz chegou ao Galo em 8 de janeiro, um dia após a estreia com derrota do Galo na competição. O Galo tinha ficado sem o técnico Emerson Cris, que passou mal e foi internado um dia antes do primeiro jogo do campeonato. Contra o São Joseense na primeira rodada, o time foi comandado pelo Auxiliar Técnico Rafael Sundermann.
Cruz chegou e três dias depois, tendo realizado apenas um treino, comandou o time contra o Cascavel e perdeu por 1 a 0 no WD.
“Foi uma pena perdermos para o Cascavel, mas eu estava somente há dois dias à frente do time e nem conhecia direito o elenco” argumentou o treinador.
Mas foi na terceira rodada que o Galo de Cruz que não somava nenhum ponto numa primeira fase que só tinha seis rodadas, mostrou tardiamente que poderia ter tido melhor sorte se Cruz tivesse chegado na cidade 45 dias antes. Um seco 3 a 0 sobre o surpreendente Foz que naquele momento já tinha carimbado o Coxa por 3 a 2 no Couto Pereira e arrancado um empate em 1 a 1 do Azuriz no difícil campo de Pato Branco.
“Fizemos um segundo-tempo quase perfeito contra o Foz, muito cirúrgico e eficaz com dois gols do Eriky que entrou iluminado, e foi mesmo nossa melhor partida”, analisou Luiz Cruz, o êxito contra o time da fronteira que ao final da primeira fase se posicionou em segundo lugar conquistando 11 dos 18 pontos possíveis no disputado Grupo A.

Na quarta rodada o novo técnico mudou muito o time que enfrentou o forte Londrina no Estádio do Café, e apesar da derrota por 2 a 0, ficou visível a grande evolução tática. “Fizemos 30 minutos muito bons em Londrina; jogamos de igual para igual, mas fomos punidos pela grande atuação do goleiro deles, e pela qualidade inegável do adversário. De FATO, em Londrina um time de jovens talentosos e sem medo, enfrentou de igual para igual um esquadrão que se prepara para disputar a Série B do Brasileirão.
Na penúltima rodada para o fim da primeira fase, chegou a hora de disputar o derby. Cruz sabia que essa era a partida que poderia restituir ao time um espaço no futuro, e decidiu que tinha que jogar de igual para igual, com as peças que tinha à disposição.
A defesa se mostrou frágil e levou dois gols em somente dez minutos; e quando o time finalmente reagiu e terminou o primeiro-tempo perdendo por 2 a 1, veio a ducha de água fria com apenas dez minutos de jogo. O zagueiro Márcio Júnior erra grosseiramente e entrega de bandeja o terceiro gol ao Dog logo aos 10 minutos da etapa complementar. Depois disso, veio o quarto gol e a goleada se mostrou merecida diante de tantos erros do setor defensivo. Ficou claro que com aquela defesa não se podia pensar de ir para cima de adversários como o Dog que é time que tem elenco para disputar Terceira Divisão Nacional e Copa do Brasil, e muito menos para tentar o milagre de uma vitória na capital contra o poderoso Athletico em plena Baixada.
Na capital, o empate teria bastado, mas não ao Galo, e sim ao Dog. Veio outro 4 a 1 e a certeza que com aquela defesa não dava nem mesmo para enfrentar o rival da cidade nos dois jogos do Torneio da Morte.
Na segunda-feira passada, um motivado Cruz comandou o primeiro treino da semana antes do primeiro derby decisivo. Ele nos disse que estava feliz porque pela primeira vez tinha seis dias para treinar o time, algo que não tinha acontecido desde que tinha chegado à cidade.
“A primeira fase foi mesmo um laboratório. agora estou aqui há 18 dias e nessa semana, não escondo de ninguém que trabalho para consertar a defesa e disputar a permanência”.
“Time deles é favorito, mas Mata-Mata é Mata-Mata”,
disse Cruz sobre derbys do Torneio da Morte contra o Dogão
Naquela segunda-feira, o que se viu no CT, foram jogadores atentos e motivados a repetir os comandos do técnico que insistiu exaustivamente no diálogo que segundo ele precisa existir no setor defensivo.
Ao final do treino, e antes de nos conceder a entrevista que pode ser assistida no vídeo abaixo, Cruz se reuniu com diretores no banco de reservas à margem do campo. Foram dez minutos de bate papo e depois mais alguns minutos a sós com quem tem o Poder bem no meio do campo. Nesta sexta veio a bastonada que ninguém apostava. Cruz foi demitido. Não há explicação porque só faltam dois dias para o jogo que vale uma temporada e uma divisão.
Não nos é fornecida explicação, e de FATO, o clube, que é uma sociedade, não tem mesmo que prestar contas a ninguém; teria se tivesse uma grande torcida, mas não tem. Tem sim uma torcida organizada apaixonada, que grita e apoia o time todo o tempo; tem também orfãos do Grêmio tricampeão do Paraná, do qual ‘herdou’ o nome que buscou no mascote do alvinegro. O Galo do Norte é o Grêmio de Esportes Maringá, que ainda existe, mas que com a decadência do antigo campeão, de mascote passou a nome de time.
O primeiro derby do Torneio da Morte será no domingo ás 18h30 no WD, e no banco não estará Cruz que tem o mérito de ter acreditado em jovens jogadores que não se esconderam do jogo, não tiveram medo de ficar com a bola nos pés, não apelaram só para chutões, que arriscaram bater a gol de qualquer distância, que esqueceram das limitações do elenco de idade jovem. Domingo será Sundermann a se sentar no banco de novo, e ele que apesar de ser mais jovem, também entende do riscado, mas não é disso que se trata. A questão central reside no FATO que a ausência do líder num momento crucial pode tirar do time o norte que estava começando a conquistar. Com Cruz poderia ser rebaixado ? É quase certeza, porque o Dog é time forte e provavelmente só agora vai começar a deixar para trás o pífio futebol que apresentou nas primeiras rodadas. Agora o tricolor já está mais entrosado e se havia dúvida sobre uma possível surpresa que o Galo poderia aprontar, agora sem Cruz, esse temor deve se reduzir sem que o respeito diminua, e isso faz do Maringá que já era favorito, um potencial e impiedoso vencedor.
Sorte ao Sundermann e sorte aos garotos prepararados por Cruz. Sorte ao ex-treinador que certamente em breve estará comandando outro time porque tem conhecimento para isso. Sorte também à diretoria do Galo que fez sua escolha, e vai pagar para ver. Enfim, sorte ao Dog, que não tem nada com isso, que tem muito mais a perder e que agora tem mesmo mais uma razão para entrar confiante na vitória, porque clube que demite treinador num momento como esse, está pedindo para perder. Posso morder a língua, mas junto comigo morderão centenas de torcedores que ao saber da demissão de Cruz, correram para os grupos de whatsapp e para o Instagram do time para tecerem pesadas críticas.
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