O grupo nascido no Facebook, “Noi denunceremo”, pede contas – não só na política mas também na justiça – às autoridades italianas, pela forma como foi gerida a pandemia, na região de Bérgamo. No total, já foram apresentadas 150 queixas na procuradoria da cidade em nome de familiares de vítimas da Covid-19.
“Se perguntar às pessoas de Bérgamo, todas dirão que o maior problema foi criar demasiado tarde uma zona vermelha, o confinamento. Detetámos o vírus a 23 de fevereiro e encerrámos toda a região a 8 de março; por isso, estamos a falar de duas semanas em que as pessoas estavam livres para se deslocarem, irem trabalhar, irem a restaurantes e, provavelmente, infectarem milhares de pessoas, e vemos os resultados”, diz Stefano Fusco, que criou, com o pai, este grupo, “Denunciaremos”.
O grupo foi criado em março como forma de as famílias enlutadas expressarem a dor pelas mortes causadas pelo coronavírus, uma vez que os rigorosos confinamentos de Itália lhes negaram a realização de funerais. Agora, está a fornecer um fluxo constante de testemunhos a procuradores que investigam o que contribuiu para uma taxa de mortalidade tão elevada.
Sabrina Grigis, que perdeu o pai na pandemia, afirma: “Esperamos que aqueles que cometeram erros paguem por eles. O meu pai não merecia acabar desta forma. Morrer sozinho. Durante 15 dias, nem eu nem os membros da família pudemos vê-lo, ouvi-lo ou estar com ele neste momento trágico para ele. Ele contava conosco, tinha confiança em nós”.
O grupo “Noi denunceremo” questiona até que ponto é que a decisão de não confinar mais cedo foi deliberada – para evitar repercussões económicas numa das três cidades mais produtivas do norte de Itália.
A investigação dirá. Para já, o movimento das famílias à procura de justiça cresce a nível internacional, como refere a repórter da Euronews em Itália, Giorgia Orlandi: “Não são apenas 100 novas queixas. Com a carta enviada à presidente da Comissão Europeia e ao Presidente do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, a actividade da “Noi Denunceremo” está a assumir cada vez mais um carácter internacional. Ainda que a iniciativa tenha partido do comité italiano, cada vez mais grupos nascem da vontade das famílias das vítimas que pedem justiça em todo o mundo e querem seguir o modelo italiano para avançarem numa direção semelhante, do Reino Unido ao Brasil”. fonte: euronews