No evangelho de hoje, Jesus anuncia dramática mudança de rumo. Após quase três anos de ministério centrado na Galileia, “começou a mostrar aos discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes, dos mestres da Lei e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia” (Mt 16, 21-27).
Pedro puxa Jesus de lado e começa a repreendê-lo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça” (16, 22). “Jesus, porém, voltou-se para Pedro e lhe disse: ‘Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens” (16, 23). Como Pedro e os demais discípulos, nos lembra Pagola, “É difícil não sentir desconcerto e mal-estar, ao ouvir mais uma vez as palavras de Jesus: ‘Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me’”. Entendemos muito bem a reação de Pedro, que, ao ouvir Jesus falar de rejeição e sofrimento, ‘o toma à parte e se põe a censurá-lo”.
Na verdade, “carregar a cruz significa seguir a Jesus dispostos a assumir a insegurança, a conflitividade, a rejeição ou a perseguição, que o próprio Crucificado teve que padecer. Mas, nós crentes não vivemos a cruz como derrotados, mas como portadores de uma esperança final. Todo aquele que perde sua vida por Jesus Cristo a encontrará. O Deus que ressuscitou Jesus nos ressuscitará também para uma vida plena”. Entraremos, logo mais, em setembro, o Mês da Bíblia. Neste ano, nos é proposto o livro do profeta Daniel, um convite a “Não desesperar jamais”, mesmo nas situações mais difíceis, na certeza de que Deus não abandona seu povo, nem aqueles que Nele confiam.



