A tempestade, que atingiu duramente a ilha e outras regiões do sul italiano na última semana, continuou a gerar fortes chuvas, levando a novos deslizamentos de terra e risco de isolamento de cidades inteiras.
Em Niscemi, município de cerca de 25 mil habitantes na província de Caltanissetta, uma grande fratura no terreno começou por volta das 13h de ontem, com trincas profundas no asfalto. A paisagem mudou: trechos de rodovia cederam, o solo deslizou com violência e casas ficaram perigosamente à beira de um precipício.
O prefeito Massimiliano Conti descreveu a situação como dramática. Novos deslizamentos continuam ocorrendo e há receio de que o município fique isolado, já que a principal estrada que liga Niscemi à rede viária regional foi comprometida. Por isso, o fechamento preventivo de escolas foi ordenado e a Proteção Civil escalou equipes técnicas e voluntárias para organizar a evacuação e instalar abrigos emergenciais no ginásio esportivo local.
As evacuações continuam em andamento. A imprensa italiana relata que cerca de 1 000 pessoas foram tiradas de suas casas para locais mais seguros — número superior à estimativa inicial de 500. Até o momento, não há relatos de mortos ou feridos graves, segundo as últimas atualizações, mas o risco permanece elevado.
Estado de emergência
Em resposta à crise, o governo italiano declarou estado de emergência nacional para as regiões mais afetadas — incluindo Sicília, Calábria e Sardenha — por um período inicial de 12 meses, com possibilidade de extensão. O anúncio foi feito após reunião extraordinária do Conselho de Ministros na tarde da última segunda-feira. Já foi liberada uma primeira tranche de €100 milhões para ações de socorro emergencial, incluindo apoio às autoridades locais e financiamento de obras urgentes de mitigação de riscos — como contenção de encostas e recuperação de vias de transporte.
O ministro da Proteção Civil, Nello Musumeci, sublinhou que “nada será como antes” e advertiu para a necessidade de medidas mais amplas de planejamento territorial diante de eventos extremos cada vez mais frequentes – referência à crescente vulnerabilidade climática da região, que somou chuva torrencial, ventos fortes e ondas de até 10 metros nos litorais durante o ciclone Harry.
O governador da Sicília, Renato Schifani, mencionou que apenas na ilha os prejuízos já superam €740 milhões, com impacto severo em infraestruturas, turismo e comércio local.
fonte: Comunitá Italiana




