Ornella Vanoni morreu aos 91 anos, na sexta-feira à noite, na sua casa em Milão. Uma das artistas mais emblemáticas e influentes da cultura italiana, capaz de ultrapassar as fronteiras nacionais, Vanoni foi cantora, atriz e apresentadora.
Considerada uma das vozes mais influentes da música pop italiana, numa carreira de mais de cinquenta anos, que se prolongou até ao fim, publicou mais de uma centena de obras, vendendo mais de 55 milhões de exemplares.
Entre os seus grandes êxitos contam-se canções como “Senza fine”, escrita por Gino Paoli, seu ex-marido e protagonista da sua carreira ao longo da vida. Depois, “Che cosa c’è” e “L’appuntamento”, versão italiana da música de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, “Sentados à beira do caminho”, que trouxe bastante popularidade à cantora italiana no Brasil.
Seguiram-se outros êxitos como “Tristezza”, “La musica è finita”, “Una ragione di più” e, ainda, “La voglia la pazzia l’incoscienza l’allegria”, escrita em dueto com os artistas brasileiros Toquinho e Vinícius de Moraes.
Vanoni tinha uma voz inconfundível e uma abordagem interpretativa refinada, o que a tornava única e lhe permitia variar entre géneros musicais. Colaborou com grandes nomes do jazz como George Benson, Herbie Hancock, Gil Evans e Ron Carter, mas também foi acompanhada em palco por muitos artistas italianos, começando por Gino Paoli, passando por Paolo Conte, Fabrizio De Andrè, Ivano Fossati, Lucio Dalla, Renato Zero e Riccardo Cocciante.
Mais recentemente, colaborou com Giorgia, Fiorella Mannoia, Pacifico, Francesco Gabbani, o duo Colapesce e Dimartino e também com Mhamood.
Vanoni participou em oito edições do Festival de Música de Sanremo, tendo ficado em segundo lugar uma vez e outras três em quarto lugar. Em 1999, foi-lhe atribuído o Premio Città di Sanremo pela sua carreira, a primeira artista na história do Festival a receber tal prémio. Vanoni foi também a única mulher e a primeira artista de sempre a ganhar dois Prémios Tenco. Em 2022, recebeu também o Prémio Tenco Speciale, criado para celebrar a sua extraordinária carreira.
Reações da política e do mundo do espetáculo
“Com o falecimento de Ornella Vanoni, a Itália perde uma das suas artistas mais originais e refinadas. Com a sua voz única e uma capacidade interpretativa sem igual, escreveu páginas importantes na história da canção, do teatro e do espetáculo italianos. Em meu nome e em nome do Ministério da Cultura, exprimo as minhas condolências e o meu pesar à sua família”. Esta declaração foi feita numa nota do Ministro da Cultura Alessandro Giuli.




