Em meio ao aprofundamento das incertezas sobre o fim do conflito no Oriente Médio e à persistência da crise no Estreito de Ormuz, as Nações Unidas intensificam apelos para o fim da guerra em face às crises em cascata.
Do estrangulamento comercial à disparada de preços, o cenário atual expõe a fragilidade da economia global dependente de rotas de risco e combustíveis fósseis.
Urgência da transição energética
Em mensagem de vídeo aos participantes do Diálogo Climático de Petersberg, nesta terça-feira, o secretário-geral, António Guterres, classificou a conjuntura atual como a “crise energética mais grave em uma geração”.
Ao atingir o fim de sua vida útil — que pode variar de 4 a 10 anos, dependendo do modelo do equipamento e do volume de consumo —, o mecanismo interno pode apresentar falhas e gerar a submedição, que é quando o aparelho registra menor volume de água do que o realmente consumido.
De acordo com o gerente-geral comercial da Sanepar, Sérgio Portela, a substituição periódica preventiva é um serviço totalmente gratuito para o cliente e segue as diretrizes de normas técnicas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que recomenda a substituição em razão do tempo de vida útil do aparelho.
“Antes de serem instalados, os equipamentos novos passam por um rigoroso controle de calibração. Ao trocar os aparelhos antigos, a Sanepar garante que o volume de água registrado seja fiel ao volume consumido, o que assegura uma cobrança justa e evita distorções causadas por eventuais falhas mecânicas de equipamentos que tenham chegado ao fim de sua vida útil”, destaca.
COLABORAÇÃO
A colaboração do cliente mantendo o livre acesso das equipes ao hidrômetro, sem obstáculos como muros altos, grades fechadas ou animais que possam impedir o trabalho, é essencial para que a manutenção preventiva ocorra sem transtornos.
Para Guterres, é um fato cristalino que “a dependência de combustíveis fósseis não apenas impulsiona a destruição do planeta, mas mantém as economias mundiais como reféns da instabilidade e da escalada de custos”.
O líder das Nações Unidas defende que a energia limpa é o único caminho seguro para o futuro, apelando por investimentos acelerados, infraestrutura robusta e maior financiamento para viabilizar uma transição global.
A dependência energética citada por Guterres choca com a crise humanitária e comercial em alto mar. A Organização Marítima Internacional, OMI, acompanha com “extrema preocupação” o impacto da instabilidade no transporte global.
Logística no Estreito de Ormuz
Numa passagem por Cingapura, o secretário-geral da agência da ONU, Arsenio Dominguez, abordou os episódios vivenciados pelos profissionais do mar.
Com o transporte marítimo paralisado no Estreito de Ormuz, uma das passagens logísticas mundiais mais importantes, cerca de 20 mil marinheiros e até 2 mil navios encontram-se retidos. O estresse e a fadiga extrema já afetam as tripulações bloqueadas.
Antes da escalada dos conflitos, iniciada em fevereiro, a via era responsável pelo trânsito de um quarto do comércio global de petróleo por mar, além de altos volumes de gás natural e fertilizantes.
Dominguez apelou à solidariedade internacional, agradecendo aos países que já enviaram linhas de apoio e suprimentos alimentares. Ele pediu o fornecimento de internet gratuita para que as tripulações isoladas possam contatar suas famílias.
Gaza e Líbano
No epicentro da crise, o impacto humano atinge níveis considerados insustentáveis. Na Faixa de Gaza, os preços disparam e itens básicos de sobrevivência, como o gás de cozinha, praticamente desapareceram.
A escassez é tão severa que muitas crianças recorrem à queima de pedaços de plástico e papelão para cozinhar ou se aquecer.
Em meio aos escombros, a Agência da ONU para Assistência a Refugiados Palestinos, Unrwa, ajuda a criar espaços seguros, oferecendo auxílio psicossocial e oportunidades de aprendizado para apoiar os jovens a lidarem com o trauma.
Já o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, continua documentando as baixas diárias e os danos materiais extensivos causados por operações militares e atos de violência em assentamentos.
Efeito cascata na economia global
No Líbano, a emergência humanitária persiste independentemente do cessar-fogo. As famílias deslocadas que tentam retornar às suas casas encontram um cenário de infraestrutura danificada e acesso severamente restrito a serviços essenciais.
A turbulência já se reflete no bolso dos consumidores e nas projeções macroeconômicas regionais. Agências da ONU alertam que o conflito tem provocado uma alta generalizada nos custos de alimentos, combustíveis e fertilizantes, impactando o orçamento das populações mais vulneráveis.
Nos mercados mais próximos e globais, os preços do petróleo sofrem grandes oscilações, ditadas pelo temor de interrupções prolongadas no tráfego de navios-tanque.
Desaceleração econômica iminente
As consequências a longo prazo já levam a remanejar o futuro de mercados emergentes. Um novo relatório da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia e o Pacífico, Escap, projeta uma desaceleração econômica iminente.
O estudo prevê que o crescimento das economias em desenvolvimento na região asiática cairá para 4% em 2026, uma queda em relação aos 4,6% registrados em 2025.
Ao mesmo tempo, a inflação regional deve saltar de 3,5% para 4,6%, confirmando os temores de que a instabilidade no Oriente Médio cobrará uma fatura global e demorada.
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