No evangelho deste domingo, no capítulo treze de Mateus, temos um cenário novo. Para o discurso das bem-aventuranças, como era numerosa a multidão, Jesus subiu a um monte, sentou-se e, dali, falou para o povo, no seu “Sermão da Montanha” (Mt 5-7). Para o discurso da missão (Mt 10), Jesus dirigiu-se aos doze que acabara de escolher e lhes deu orientações para o trabalho missionário: “E pelo caminho proclamai que o Reinado de Deus está próximo. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. Dai de graça, o que de graça recebestes,” (Mt 10, 8).
Para este terceiro discurso, o das Parábolas, o cenário é outro, não o do monte, mas o de uma praia. “Jesus saiu de casa e foi sentar-se à beira do mar da Galileia. Uma grande multidão se reuniu ao redor dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas” (Mt 13, 1-3). São sete as parábolas que Mateus recolhe: semente, joio, grão de mostarda, fermento, tesouro, pérola, rede.
O semeador sai, mas vê-se que a terra é pouca e não tão boa. As ricas planícies da Galileia estavam ocupadas por grandes proprietários que forneciam trigo para as legiões romanas de Cesareia. Este pequeno lavrador planta rente ao caminho e muitas sementes caem fora e os pássaros as comem. Arrisca mesmo num pedaço pedregoso e perto dos espinheiros, até chegar num canto de terra boa, que vai dar cem, sessenta e trinta frutos por semente plantada.
Jesus não conta uma parábola de colheita, mas sim de semeadura, bem lembrada nesse canto das nossas comunidades: “Põe a semente na terra Não será em vão Não te preocupe a colheita Plantas para o irmão”. Comenta Antônio Pagola: “A Parábola do Semeador é um convite à esperança. A semeadura do evangelho, muitas vezes inútil por diversas contrariedades e oposições, tem uma força que ninguém pode conter. Apesar de todos os obstáculos e dificuldades, e ainda com resultados muito diversos, a semeadura acaba fazendo esquecer outros fracassos”. Jesus, a pedido dos discípulos explica o significado da parábola: “Ouvi, portanto, a Parábola do Semeador: Todo aquele que ouve a Palavra do Reino e não a compreende, vem o maligno que rouba o que foi semeado em seu coração.
Esse é o que foi semeado à beira do caminho. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a Palavra e logo a recebe com alegria, mas ele não tem raiz em si mesmo. É de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da Palavra, ele desiste logo. A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a Palavra, mas as perseguições do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a Palavra e ele não dá fruto. A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”. (13, 18-23).
Peçamos ao Senhor, a teimosia do lavrador, que volta a plantar a cada ano, com confiança e na esperança. Peçamos também a graça de sermos, nós e nossas comunidades, terra boa para acolher a semente da Palavra e colocá-la em prática.



