No Paraná, o segmento de Obras de infraestrutura foi o mais relevante em termos de valor gerado, respondendo por R$ 12,0 bilhões, ou 40,2% do total estadual. Em seguida vieram Construção de edifícios, com participação de 37,1%, e Serviços especializados para construção, responsáveis por 22,8%.
Os resultados das pesquisas estruturais em empresas, referentes a 2024, marcam uma mudança importante na série histórica do IBGE iniciada em 2007. A partir de então, os dados deixaram de ser diretamente comparáveis aos dos anos anteriores, em razão de alterações na forma de identificação das empresas ativas que compõem o Cadastro Básico de Seleção (CBS) utilizado na definição das amostras das pesquisas.
Historicamente, o cadastro era construído com base nas informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que permitia identificar se uma empresa havia exercido atividade no ano de referência. Com a substituição gradual da RAIS pelo eSocial, iniciada em 2019, parte dessas informações deixou de estar disponível, comprometendo a identificação de empresas ativas, especialmente as de menor porte. A mudança metodológica adotada em 2024 levou à quebra da série histórica das pesquisas estruturais em empresas, como a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), a Pesquisa Anual da Indústria (PIA), a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e a Pesquisa Industrial Mensal (PIM).
Segundo a gerente das pesquisas estruturais em empresas, Andrea Bastos da Silva Guimarães, a maior dificuldade surgiu com a migração das empresas do Simples Nacional para o eSocial. “Essas empresas representam a maior parte do cadastro utilizado pelas pesquisas. Na RAIS, havia uma informação que permitia identificar se elas estavam efetivamente em atividade, mas essa variável deixou de existir”, explica.
A ausência desse indicador fez com que o número de empresas presentes no cadastro básico saltasse de cerca de 5 milhões, para mais de 6 milhões. Como alternativa para administrar o problema, a Secretaria da Receita Federal sugeriu enviar ao IBGE informações provenientes de declarações fiscais, relativas às empresas sem movimentação por três anos consecutivos – que passaram a ser consideradas inativas e estabeleceram um novo critério para a construção do cadastro. Durante o processamento da pesquisa de 2024, verificou-se que aproximadamente 400 mil empresas inicialmente classificadas como inativas mostraram-se, na verdade, ativas. Como a etapa de coleta já havia sido encerrada e o processo de crítica estava adiantado, mostrou-se necessário recorrer a técnicas estatísticas de imputação e reponderação para incorporar essas unidades aos resultados. Na PAIC, por exemplo, uma amostra complementar de empresas foi selecionada e seus dados foram estimados estatisticamente.
Embora o impacto esteja concentrado nas empresas com até cinco pessoas ocupadas, a mudança afeta os resultados das pesquisas e impede comparações diretas com os anos anteriores. Segundo a pesquisadora Andrea Bastos da Silva Guimarães, os efeitos são mais perceptíveis na PAS e na PAIC, ainda que todas as pesquisas estruturais sejam alcançadas pela mudança.
Por outro lado, a adoção do novo procedimento permitiu atualizar os critérios de identificação das empresas ativas e adequar o cadastro às transformações ocorridas nos registros administrativos utilizados pelo IBGE. Para garantir transparência aos usuários, o Instituto divulgou notas técnicas detalhando as alterações metodológicas e formalizou a quebra da série histórica a partir de 2024.




