O NEGÓCIO É O SEGUINTE: As memórias de uma cidade, são mesmo patrimônio inegociável. Entre datas memoráveis e relatos oficiais, trago um que vem de dentro da minha casa.
Hoje se completam 60 anos da histórica vitória do Grêmio Esportivo Maringá sobre a União Soviética. É uma história que cresci ouvindo ser repetida por meu pai e pelos maringaenses que tinham chegado cá muito antes que eu nascesse no Santa Rita em 1967.
Aos 16 anos, meu pai chegou a Maringá em 1951; aqui se casou, teve 4 filhos e viu o Grêmio nascer e ser três vezes campeão. Uma das vezes, eu também vi, e ainda que digam que o que vi era o de Esportes e não o esportivo, meu pai me dizia: “é o mesmo time”.
Entre tantas histórias, de sua vida e sobre o Grêmio, a da União Soviética é um filme que vi através da história contada por meu pai quando eu, aos 10 anos já era campeão de 77 e apaixonado pelo Grêmio.
Ele viu a União Soviética de Yashin, que sabe-se lá porque atravessou mundo e veio parar em Maringá. Fico imaginando, um russo dizendo a outro: “Vamos ver a URSS na tv jogando no Brasil contra o terrível tal de Gremio de Esportes Maringá”. Na verdade, talvez poucos por lá souberam desse jogo por aqui, e na tv não poderiam ter visto; quis mesmo uma piada; Meu pai narra uma batalha num WD superlotado; jogo de grande categoria, com estilos visivelmente diferentes.
“E pensar que em 66, meu pai viu o Yashin, que apareceu em Maringá do nada, quando aqui ainda não era nem sombra do que é hoje” . . .
Meu pai contava que ao final, mesmo tendo saído derrotados do confronto por 3 a 2, os russos estavam felizes. Ele conta que naquele dia, as pessoas demoraram para deixar o estádio. Falava sobre o gol da vitória de Edgard e sobre o gigante Yashin. E não é que entre as poucas mídias produzidas sobre OFATO, existe a foto do carrasco que vi jogar pelos olhos de meu pai; em preto e branco igual ao Alvi-Negro. Bem, às vezes tenho a impressão de ter visto esse jogo, de tão bem que meu pai com seus olhos lúcidos me contou. Aparecido Leonel se foi aos 89, quase 90. Viveu sua Maringá por 76 anos e gostou muito.
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