Não é de hoje que a comunidade científica se debruça sobre os problemas que as mudanças climáticas trarão para a agricultura e as florestas no mundo por conta do estresse hídrico que parece se constituir como uma ameaça quase incontornável. Diante da complexidade e grandiosidade do desafio, surgem, porém, possíveis enfrentamentos que utilizam soluções que a própria Natureza oferece, como o uso de um simples e minúsculo agente: uma bactéria. É o que propõe o projeto “Desenvolvimento de Inoculantes Biodegradáveis com Streptomyces Tolerantes à Seca e Altas Temperaturas para Promoção do Crescimento de Espécies Arbóreas e Agrícolas no Contexto das Mudanças Climáticas”, coordenado pela professora do Departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elisete Pains Rodrigues.
Qualidades não faltam à Streptomyces para o propósito de amenizar os efeitos da seca nas plantas. Em contato com as raízes do vegetal, a bactéria secreta exopolissacarídeos, uma espécie de goma esponjosa que retém água, o que favorece uma maior sobrevivência em ambientes secos. Outra característica é a capacidade de se transformar em esporos, estruturas resistentes que, entre outras funções, servem para protegê-la de ambientes de escassez hídrica ou de substâncias químicas.
Um outro benefício que a bactéria oferece à planta é ajudá-la a se nutrir através da solubilização de fosfato, já que esse composto químico normalmente está na natureza em formas sólidas que os vegetais não conseguem absorver. A Streptomyces também ajuda no crescimento de uma outra forma, produzindo um fitormônio chamado auxina. Segundo Elisete Pains, a auxina promove o crescimento das raízes, o que gera maior possibilidade de absorção de água. Além disso, a bactéria também produz antimicrobianos que combatem fungos, parasitas, vírus e outras bactérias e por isso ela é a bactéria mais utilizada para a produção de antibióticos.
Mas, se a Streptomyces possui tantas qualidades e benefícios para o crescimento das plantas, especialmente em ambientes secos, por que ela ainda não é tida como referência para esse fim? É que elas são consideradas lentas para a reprodução em meio líquido, método mais usual para a cultura de bactérias. “Ela é pouco estudada porque é uma bactéria mais difícil de trabalhar, porque as outras em pouco tempo se tem uma boa cultura em meio líquido”, afirma a coordenadora do projeto.
continue a ler em operobal.uel.br




