“Reduzir custeio para aumentar capacidade de investimento”, diz secretário de Fazenda sobre contas do 4º quadrimestre de 2024

"Não há razões para preocupação. Do ponto de vista econômico, Maringá segue bem, e que do ponto de vista financeiro há muito que se fazer", sintetizou Carlos Augusto Ferreira

foto - OFATOMARINGA.COM

Num convite a dividir a responsabilidade e apoiar medidas que ajudem a reduzir o custeio dos gastos públicos, já que o orçamento da Câmara também sai dos cofres do município, o secretário de Fazenda de Maringá – Carlos Augusto Ferreira – interpretou para os vereadores a radiografia da prestação de contas do 3º quadrimestre da administração como um empate em 0 a 0. Ferreira disse ao vereadores que as receitas do município estão andando no mesmo passo que as despesas de custeio, e que isso mostra que o município perdeu capacidade de investimento.

“Quero deixar claro caros vereadores”, disse o número 1 da Fazenda na gestão do prefeito Silvio Barros (PP). “O custeio do município cresceu, e quando o custeio cresce em uma empresa, diminui a capacidade de investimento. Queremos recuperar a capacidade de investimento, mas não podemos criar impostos para balancear as contas, porque iríamos onerar o contribuinte, mas podemos e temos que ser mais eficientes na cobrança dos impostos devidos; hoje a gente caminha para um 0 a 0”, disse o titular da Fazenda. Ele afirma que a capacidade do município caiu de 5% para 1% no último ano.

A Audiência Pública de apresentação aconteceu na tarde desta terça-feira (25) no Plenário Ulisses Brudder da Câmara Municipal de Maringá. Vários vereadores se disseram surpresos com a  nova informação ou interpretação dos números. “Trazer esses números aqui, tecer uma análise, não é uma construção política, mas sim uma constatação de um FATO. Nosso papel é dividir com os senhores um FATO; apenas isso”, disse o secretário aos 18 dos 23 vereadores eleitos que participaram da Audiência.

O documento de 42 páginas traz um balanço sobre como estão as receitas, despesas, índices legais, metas fiscais e também o resultado financeiro dos últimos 4 meses do ano passado, ou seja, ainda na administração de Ulisses Maia (PSD).  A apresentar o quadro econômico financeiro do relatório, estava o diretor de contabilidade da secretaria de Fazenda, Adriano Correia, que foi logo explicando que o objetivo da Audiência era “demonstrar e avaliar o cumprimento das metas fiscais e a trajetória da dívida”. 

RESULTADOS:

O município teve receita de R$ 2,9 bilhões e

despesas no valor de R$ 2,8 bilhões em 2024, o que representou

um superávit orçamentário-contábil de R$ 112 milhões.

No entanto, a capacidade de investimento do município

foi de 1,02% em recursos livres. A despesa total de investimentos

empenhados foi de R$ 273 milhões, o que representa 9,48%.

Dessa porcentagem, 4,06% é referente a recursos de empréstimos e

4,40% a recursos vinculados, sendo que apenas 1% foi com recursos de fonte livre.  

Na entrevista concedida a OFATOMARINGA.COM, o titular da pasta da Fazenda minimizou a reação negativa aos números; ele explica que “do ponto de vista econômico, Maringá segue bem, e que do ponto de vista financeiro há muito que se fazer”. Ferreira defende que a volta do crescimento depende também de investimentos, e que para que haja investimentos é preciso melhorar na eficiência da gestão do município. “Temos que produzir crescimento sem nos endividarmos, e isso depende de eficiência. Defendo disciplina no custeio e melhoria na arrecadação; temos um déficit de infraestrutura que precisa ser corrigido para preparar a cidade para os efeitos da reforma tributária que virá”, argumentou o secretário. “Nesta gestão já fizemos um contigenciamento de R$ 80 milhões; estamos observando o comportamento de todas nossas receitas e continuamos a oferecer todos os serviços que são obrigatórios”. Questionado sobre as negociações com os Servidores Públicos sobre a data-base que tem como data o mês de março, o secretário disse que “ainda é cedo para falar disso”, e que além do índice de defasagem salarial que deve fechar em torno de 5%, com pedida de 10% por parte do Sindicato, “tem uma lista de reivindicações que precisam ser analizadas para entendermos se o município pode acolher e quais seriam os impactos disso”.

Na entrevista em vídeo o secretario Carlos Augusto Ferreira ressalta que não há razão para preocupações porque o Executivo já está atuando um plano para recuperar a capacidade de investimento e de crescimento, “praticamente imperceptível, como é o de um encanador”, para resolver os problemas e tapar os buracos que ele disse que existem.

E quais vereadores participaram da Audiência Pública? Odair Fogueteiro (PP), Uilian da Farmácia (União), Majô Capdeboscq (PP), Pastor Sandro Martins (União) e Bravin Junior (PP) que fazem parte da Comissão de Finanças e Orçamento da Casa; além deles, participaram também, Sidnei Telles (Podemos), atual presidente em exercício, Flávio Mantovani e Akemi Nishimori (PSD), Maninho (Republicanos), Diogo Altamir – PSDB, Mário Hossokawa – (PP), Luiz Neto – (Agir), Daniel Malvezzi (Novo),  Angelo Salgueiro (Podemos), Giselli Bianchini e Willian Gentil (PP), Mário Verri (PT) e Lemuel (PDT).

O documento completo pode ser consultado logo abaixo: