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Roma vai cobrar aos turistas para visitar a Fontana di Trevi

A partir de fevereiro, os turistas em Roma pagarão 2 euros para visitar a Fontana de Trevi, enquanto a entrada continuará a ser gratuita para os residentes. A medida é a mais recente de uma série de programas de preservação do património na Europa.

Por O Fato Redação
07/01/2026
em INTERNACIONAL
FOTO: EURO NEWS

FOTO: EURO NEWS

Os visitantes da capital italiana terão em breve de pagar uma taxa de dois euros se quiserem visitar a Fontana di Trevi, um dos símbolos mais famosos de Itália e referência do seu patrimônio artístico.

A medida, promovida pelo vereador do Turismo e Grandes Eventos, Alessandro Onorato, e aprovada pela administração municipal, faz parte de um plano para gerir os fluxos turísticos e proteger o local ornamentado dos danos e da degradação causados pelas multidões de visitantes.

Estima-se que a taxa de entrada poderá aumentar as receitas municipais em até 20 milhões de euros, com os recursos destinados à melhoria das instalações para turistas e dos serviços dedicados ao local.

Durante meses, a área em torno da fonte foi sujeita a controlos para limitar o número de pessoas a um máximo de 400 em qualquer momento. Agora, como parte das novas medidas, serão organizadas duas faixas de acesso separadas, uma para residentes, para os quais a entrada continuará a ser gratuita, e outra para turistas, que poderão pagar os seus bilhetes com cartões de crédito.

Porquê agora?

A decisão é motivada principalmente pelas reclamações locais sobre a superlotação da Fontana di Trevi, onde milhões de pessoas se reúnem todos os anos para tirar fotos ou fazer um pedido jogando uma moeda na fonte.

Somente nos primeiros seis meses de 2025, a área registrou mais de 5,3 milhões de visitantes, um número superior ao do Panteão em todo o ano de 2024.

No entanto, não faltam críticas à monetização do espaço público. A associação Codacons considerou o bilhete um prejuízo, argumentando que belezas como praças e fontes devem permanecer acessíveis gratuitamente e que as receitas das taxas turísticas muitas vezes não são reinvestidas para melhorar os serviços.

Segundo a associação, é preferível manter quotas de acesso para evitar a superlotação e a degradação.

Um fenômeno europeu

A escolha de Roma faz parte de um contexto europeu mais amplo, no qual várias cidades estão a experimentar ou a discutir formas de regular o acesso às suas atrações culturais ao ar livre icónicas e mitigar os efeitos do turismo de massa.

Veneza é o caso mais conhecido, com uma taxa de entrada para visitantes diurnos nos dias de maior afluência turística, que varia entre cerca de 5 e 10 euros, com isenções para residentes e pessoas que ficam na cidade. O sistema permite monitorizar os fluxos e desencorajar o excesso de visitantes diurnos nas rotas mais congestionadas.

Em Espanha, cidades como Sevilha estão a considerar cobrar uma taxa de acesso à famosa Plaza de España para financiar a manutenção e a segurança do espaço.

Na Holanda, a vila de Zaanse Schans introduziu uma taxa de entrada de cerca de 17,50 euros para visitar o centro histórico com os seus moinhos de vento, protegendo o património e a vida dos residentes.

Medidas alternativas

Além dos bilhetes, muitas cidades europeias estão a testar soluções não onerosas para reduzir a superlotação sem sobrecarregar diretamente os visitantes.

Em França, algumas áreas muito frequentadas, como a ilha de Île-de-Bréhat, na Bretanha, e áreas naturais, como o Parque Nacional Calanques, nos arredores de Marselha, introduziram limites de acesso diários e reservas antecipadas, gerindo assim o afluxo durante os períodos de pico sem exigir qualquer pagamento direto.

Em Paris e Marselha, as autoridades utilizam sistemas semelhantes para distribuir os fluxos nos locais mais sensíveis, melhorando a segurança e a usabilidade dos espaços públicos.

Na Grécia, a Acrópole de Atenas implementou um sistema de acesso baseado no tempo para distribuir melhor os visitantes ao longo do dia, evitando a superlotação durante as horas de pico e preservando as estruturas arqueológicas mais frágeis, sem alterar o princípio do acesso público ao local.

Na Alemanha, muitas cidades e vilas históricas regulam o turismo através de quotas de participantes para visitas em grupo, limitações às atividades em bairros frágeis e regulamentos sobre o tráfego turístico, com foco na proteção dos residentes e na qualidade da visita, sem introduzir bilhetes para o acesso a praças ou fontes abertas ao público.

Estas estratégias mostram como a gestão do turismo pode combinar a preservação do património, a habitabilidade urbana e uma experiência turística de qualidade, mesmo sem taxas. EURO NEWS

Tags: europafonte treviitáliamonetizaçaoromataxaturismoturistas
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Ligiane Ciola: Jornalista Responsável – MTBE – 30014

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