A Sala Joubert Carvalho do Centro de Ação Cultural de Maringá – CAC – foi palco na noite de ontem (3) da apresentação do último livro do Professor Tadeu Bento França. No auge dos seus 79 anos, o Notável da Educação maringaense e da Política Nacional, Tadeu França que também é advogado e filósofo, construiu sua obra literária que agora chega a dez livros, enquanto atuava como professor e exercendo cargos eletivos. Além de ser um dos primeiros professores da Universidade Estadual de Maringá – UEM – Tadeu também foi vereador pelo MDB em Maringá no mandato de 6 anos entre 1976 e 1983. Depois disso, foi eleito para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná onde permaneceu até 1986. Mas o maior capítulo da história política e também literária de Tadeu, talvez tenha sido sua destacada atuação na Câmara Federal entre 1987 e 1988. Eleito deputado federal em 1986 com 37.186 votos, Tadeu teve participação fundamental na elaboração e redação do capítulo VIII da Constituição que trata dos direitos dos povos indígenas.
Tadeu não esconde a desilusão com os rumos que a política nacional tomou nas últimas três décadas, e esse também foi um dos motivos que o levou a deixar a política partidária e a candidatura à reeleição para deputado federal em 1991. Em seu último livro “Sinos do Entardecer”, Tadeu propõe vários artigos que abordam temas espinhosos como o Fundo Eleitoral, o Orçamento Secreto, privatizações de empresas como a Copel, mas escreve também sobre a água cara da Sanepar, além de abordar histórias ligadas ao Jardim Alvorada, bairro que o lançou e projetou na política. Conservador de centro-esqueda, Tadeu também apresenta artigos que poderiam levar incautos a lhe classificarem como político de direita; um exemplo está no artigo onde ele aborda a descriminalização da maconha, e pergunta: “E agora José, Usuário ou traficante?”. O Constituinte maringaense é um humanista, defende ideias sociais que são amplamente alinhadas com a esquerda, mas ao mesmo tempo é contrário a implementações de Leis que facilitem o acesso a drogas leves. Outras bandeiras que o político que não não enriqueceu porque não aceitou ofertas de propina para mudar de opinião sobre suas ideias durante a Constituinte, estão a defesa contra o aborto e a manutenção do sistema público de ensino , sobretudo nas escolas paranaenses. Ele critica severamente o programa PARCEIRO DA ESCOLA do Governo do Paraná que tem como objetivo terceirizar a administração das escolas estaduais. No livro, o leitor também encontrará artigos que falam de sua amizade com o líder político Leonel Brizola. Muitos dos artigos presentes no livro do professor, foram publicados no Portal OFATOMARINGA.COM e podem ser lidos clicando neste link.
Questionado sobre o porquê do título “Sinos do Entardecer”, que ele afirma será sua última fadiga literária, Tadeu França explica que tirou o nome de uma fala do Papa Francisco durante o Angelus do Domingo no Vaticano. “O Papa estava comentando sobre as guerras e citou o conflito na Ucrânia. Em um determinado ele disse, rezemos pela Ucrânia, ainda que os sinos do entardecer estão silenciados. Gostei tanto da expressão e decidi que seria o título desse meu último livro”.
Às pessoas que tem vocação para a literatura, mas que não transformam suas ideias em livros porque estão desanimadas com o desinteresse pela leitura, Tadeu argumenta com FATOS. “Escrevi uma dissertação de Mestrado na UEM em 1977. Um exemplar desse documento ficou lá, guardado por décadas na Biblioteca e recentemente foi resgatado por um jovem professor que decidiu reeditar a obra que abrange a fala caipira dos colonizadores da região de Maringá. Essa obra ganhou nova vida, novos leitores, e por isso, em escrevam, porque em um determinado momento da história, do presente ou do futuro alguém vai ler, vai ser fonte de conhecimento e não importa o tamanho do público”, analisou o escritor.
“Esse livro é uma espécie de legado; são reflexões profundas em leituras rápidas. Falo nesses artigos sobre as dificuldades dos mais pobres, e os convido a refletir sobre diversos fatores que contribuem para essa pobreza” explicou o autor. “Comecei escrever aos 25 anos, em um tempo que havia muita dificuldade para editar um livro, mas que havia mais interesse pela leitura”.
No vídeo abaixo, você pode conferir a entrevista completa com o professor Tadeu Bento França e também parte da noite de apresentação do livro no CAC.