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Home ARTIGOS CONTE A LIGIANE CIOLA

UMBIGO: Coco do Grupo Alagoano ‘Ozinformais’, brilha no palco do Teatro Sesc de Maringá

Lançada em abril, 27ª edição do Projeto Palco Giratório 2025 do Sesc, vai levar 96 apresentações de 16 grupos a 15 estados do Brasil

Por O Fato Redação
28/09/2025
em CONTE A LIGIANE CIOLA, CULTURA
Espetáculo de dança 'Umbigo' com o Grupo 'OZINFORMAIS'

Espetáculo de dança 'Umbigo' com o Grupo 'OZINFORMAIS'

A etapa maringaense do Projeto de Circulação Cultural Palco Giratório do Sesc trouxe a Maringá na noite deste sábado (27), um espetáculo de dança carregado de Cultura, Folclore, Ancestralidade, Tradição, História, Ritos e Simbolismo que se agregam à grande preparação dos bailarinos e de seu diretor.

Durante cerca de 45 minutos os artistas alagoanos do Grupo Ozinformais hipnotizaram o público que teve a sorte e a força para deixar de lado telas de celulares e televisão para assistir gratuitamente a uma obra genuinamente ímpar.

Em meio a penumbra e aos bons odores de incenso, eis que surgem no palco do Teatro Ali Wardani, os dançarinos José Marcos e Jal Oliveira, que dirigidos pelo mestre Carlos Alberto Barros dão vida ao espetáculo Umbigo. As batidas de pés no chão anunciam que tal como em suas origens, o coco alagoano está para tomar posse.

O diretor Carlos Alberto Barros e os bailarinos Jal Oliveira (à esquerda) e José Marcos à direita, conversam com o público ao final do espetáculo em Maringá

A dança datada do século XVIII, teria surgido nos engenhos de açucar e sobretudo nas comunidades dos colhedores de coco. A influência dos batuques africanos com bailados índigenas como o Toré, ganham contemporaneidade ao incorporarem gestuais de expressão corporal que derivam da dança clássica e acadêmica do ballet, passando pela dança moderna e mergulhando nos movimentos da capoeira e posições que lembram o yoga.

José Marcos – Bailarino do espetáculo de dança ‘Umbigo’

“Isso tudo acontece dentro das nossas vivências; na construção da narrativa a gente foca no umbigo, no trupé, no coco de roda com sentido de conexão, que é o que o umbigo trás nas danças; o cuidado com o outro”, comenta o bailarino José Marcos. Os bailarinos e o diretor explicam “que o toque dos umbigos é muito mais do que um contato físico; é uma troca de energias, de conhecimentos que são permitidos através da aceitação das diversidades que o outro oferece”.

A encenação alterna momentos de danças solo e encontros dos corpos em gestos atléticos e bem arquitetados que exprimem uma série de sentimentos que podem ser interpretados de acordo com o estado de espírito de quem assiste. O umbigo, evoca o ciclo da vida e abre um portal que lembra também um parto, que de tão natural, traz à tona um renascimento.  O ciclo da vida que o coco de Jal e José encenam, é vísivel nos movimentos circulares que a dupla faz pelo palco.

Jal Oliveira – Bailarino do espetáculo de dança ‘Umbigo’

“Quando a gente dança o umbigo, a gente tem três pontos que acho bem importante frisar. Primeiro, quando tocamos o chão, afirmamos território numa espécie de encontro e de pertencimento; o segundo é o contato de valorização que representa como lido com as diversidades do dia a dia; o espetáculo trás isso; eu improviso num lugar de presença, onde me identifico com o outro e construo saberes com ele; já o terceiro lugar que é o mais importante e que diz respeito ao umbigo, denota a relação afetiva que tenho com esse lugar que reúne todos os primeiros sentidos numa construção de saberes que tenho ao ter contato com os outros e que respeita a diversidade. Minha relação afetiva está na construção de outros saberes, que respeita a diversidade, quem o outro é, e fomenta o conhecimento, a paciência e o caráter”, argumenta Jal Oliveira.

A magntitude da obra dirigida por Carlos Alberto Barros, traz à tona a construção do futuro de um cultura

Carlos Alberto Barros – Diretor do espetáculo de dança ‘Umbigo’

regional nordestina, sem relegar o passado, sem o qual não haveria o presente.

“Já percorremos 15 cidades com o projeto Palco Giratório e depois de Maringá vamos encerrar nossa turnê em Campina Grande e Parnaíba no Piauí. Dirigir esse espetáculo dentro deste contexto que nos oferece todas as condições, a começar por teatros como esse do Sesc de Maringá que além de ser completo ainda oferece grande apoio de profissionais da estrutura, é uma realização. Já estou há 23 anos na estrada e com essa turnê percebemos o reconhecimento do nosso trabalho que com certeza deve continuar no tempo”, afirma o diretor Carlos Alberto Barros.

A apresentação no Sesc de Maringá, foi a única de Ozinformais em terras paranaenses; Ozinformais agora vão para o Piauí, onde estão perto do coco alagoano e de outros tantos cocos da imensa cultura que só o nordeste tem e luta para conservar.

 

Na foto, da esquerda para a direita, os bailarinos José Marcos e Jal Oliveira e o diretor Carlos Alberto Barros

OFATOMARINGA.COM conversou com os dançarinos Jal Oliveira e José Marcos, mas também com o diretor Carlos Alberto. Na longa entrevista que tenta revisitar aspectos ligados ao espetáculo Umbigo, sua construção, história e origem, mas também sobre a grande paixão que quem faz Cultura no Brasil tem que ter, eles falam com brilho nos olhos sobre a missão que a Dança e a Cultura Popular do Coco Alagoano lhes concedeu em suas andanças pelos palcos do Brasil. vídeo-entrevista pode ser assistida no início desta reportagem.

 

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Tags: aldir blanccoco alagoanoculturadançafomentoozinformaispalco giratórioSescSesc Maringáteatro sescumbigada
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