A etapa maringaense do Projeto de Circulação Cultural Palco Giratório do Sesc trouxe a Maringá na noite deste sábado (27), um espetáculo de dança carregado de Cultura, Folclore, Ancestralidade, Tradição, História, Ritos e Simbolismo que se agregam à grande preparação dos bailarinos e de seu diretor.
Durante cerca de 45 minutos os artistas alagoanos do Grupo Ozinformais hipnotizaram o público que teve a sorte e a força para deixar de lado telas de celulares e televisão para assistir gratuitamente a uma obra genuinamente ímpar.
Em meio a penumbra e aos bons odores de incenso, eis que surgem no palco do Teatro Ali Wardani, os dançarinos José Marcos e Jal Oliveira, que dirigidos pelo mestre Carlos Alberto Barros dão vida ao espetáculo Umbigo. As batidas de pés no chão anunciam que tal como em suas origens, o coco alagoano está para tomar posse.

A dança datada do século XVIII, teria surgido nos engenhos de açucar e sobretudo nas comunidades dos colhedores de coco. A influência dos batuques africanos com bailados índigenas como o Toré, ganham contemporaneidade ao incorporarem gestuais de expressão corporal que derivam da dança clássica e acadêmica do ballet, passando pela dança moderna e mergulhando nos movimentos da capoeira e posições que lembram o yoga.

“Isso tudo acontece dentro das nossas vivências; na construção da narrativa a gente foca no umbigo, no trupé, no coco de roda com sentido de conexão, que é o que o umbigo trás nas danças; o cuidado com o outro”, comenta o bailarino José Marcos. Os bailarinos e o diretor explicam “que o toque dos umbigos é muito mais do que um contato físico; é uma troca de energias, de conhecimentos que são permitidos através da aceitação das diversidades que o outro oferece”.
A encenação alterna momentos de danças solo e encontros dos corpos em gestos atléticos e bem arquitetados que exprimem uma série de sentimentos que podem ser interpretados de acordo com o estado de espírito de quem assiste. O umbigo, evoca o ciclo da vida e abre um portal que lembra também um parto, que de tão natural, traz à tona um renascimento. O ciclo da vida que o coco de Jal e José encenam, é vísivel nos movimentos circulares que a dupla faz pelo palco.

“Quando a gente dança o umbigo, a gente tem três pontos que acho bem importante frisar. Primeiro, quando tocamos o chão, afirmamos território numa espécie de encontro e de pertencimento; o segundo é o contato de valorização que representa como lido com as diversidades do dia a dia; o espetáculo trás isso; eu improviso num lugar de presença, onde me identifico com o outro e construo saberes com ele; já o terceiro lugar que é o mais importante e que diz respeito ao umbigo, denota a relação afetiva que tenho com esse lugar que reúne todos os primeiros sentidos numa construção de saberes que tenho ao ter contato com os outros e que respeita a diversidade. Minha relação afetiva está na construção de outros saberes, que respeita a diversidade, quem o outro é, e fomenta o conhecimento, a paciência e o caráter”, argumenta Jal Oliveira.
A magntitude da obra dirigida por Carlos Alberto Barros, traz à tona a construção do futuro de um cultura

regional nordestina, sem relegar o passado, sem o qual não haveria o presente.
“Já percorremos 15 cidades com o projeto Palco Giratório e depois de Maringá vamos encerrar nossa turnê em Campina Grande e Parnaíba no Piauí. Dirigir esse espetáculo dentro deste contexto que nos oferece todas as condições, a começar por teatros como esse do Sesc de Maringá que além de ser completo ainda oferece grande apoio de profissionais da estrutura, é uma realização. Já estou há 23 anos na estrada e com essa turnê percebemos o reconhecimento do nosso trabalho que com certeza deve continuar no tempo”, afirma o diretor Carlos Alberto Barros.
A apresentação no Sesc de Maringá, foi a única de Ozinformais em terras paranaenses; Ozinformais agora vão para o Piauí, onde estão perto do coco alagoano e de outros tantos cocos da imensa cultura que só o nordeste tem e luta para conservar.

OFATOMARINGA.COM conversou com os dançarinos Jal Oliveira e José Marcos, mas também com o diretor Carlos Alberto. Na longa entrevista que tenta revisitar aspectos ligados ao espetáculo Umbigo, sua construção, história e origem, mas também sobre a grande paixão que quem faz Cultura no Brasil tem que ter, eles falam com brilho nos olhos sobre a missão que a Dança e a Cultura Popular do Coco Alagoano lhes concedeu em suas andanças pelos palcos do Brasil. vídeo-entrevista pode ser assistida no início desta reportagem.




