Duas mulheres, Maria Madalena e a outra Maria, que acompanharam o sepultamento de Jesus e ficaram ali sentadas, chorosas, ao lado do sepulcro (Mt 27 61), passado o sábado, bem cedinho, antes do nascer do sol, correram de volta para onde haviam colocado o corpo de Jesus. Pelo caminho, vieram se perguntando, quem poderia remover a grande pedra que fora rolada para fechar o túmulo cavado na rocha? São tomadas de surpresa, pois, “de repente houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve” (28, 2).
Então o anjo disse às mulheres: ‘Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui. Ressuscitou, como havia dito. Vinde ver o lugar onde ele estava. Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis. É o que tenho a dizer-vos” (28, 5-7).
A palavra do anjo, “Não tenhais medo” é portadora da mensagem fundamental da ressurreição, convite, para não dizer mandato, para transitar da paralisia e tristeza do medo, para o destemor da fé na vida, na bondade, na esperança. Perder o medo e recuperar a alegria é a transformação trazida pela mensagem do anjo e da constatação do sepulcro vazio: “As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria para a notícia aos discípulos” (28, 8). No meio do caminho, tiveram nova surpresa: “De repente, Jesus foi ao encontro delas e disse: ‘Alegrai-vos!’ As mulheres aproximaram-se e prostaram-se diante de Jesus, abraçando os seus pés. Então, Jesus disse a elas: ‘Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam à Galileia. Lá eles me verão’” (28, 10). Sepulcro vazio, encontro com Jesus vivo, abraço exultante dos seus pés, novamente a consigna: “Não tenhais medo” e a missão de serem as portadoras da inacreditável notícia da ressurreição àqueles que Jesus chama de “meus irmãos”. O tratamento de “meus irmãos”, para aqueles que o venderam, traíram, negaram, abandonaram, mostra que o ressuscitado não vem ligado, como quase sempre fazemos, no modo do ressentimento, da cobrança, da exigência que se peça desculpa e reparação do mal praticado. Jesus vem no modo do perdão e com proposta de paz e reconciliação. Pagola nos diz: “… celebrar a Páscoa é entender a vida de maneira diferente. Intuir com alegria que o Ressuscitado está aí, no meio de nossas pobres coisas, sustentando para sempre tudo o que é bom, belo e puro que floresce em nós como promessa de infinito…”. Páscoa é “a festa de todos nós que sabemos que somos mortais, mas descobrimos em Cristo ressuscitado a esperança de uma vida eterna”. Com a força do ressuscitado saibamos enxugar as lágrimas dos que sofrem, acudir os necessitados, devolver alegria e esperança aos desanimados e deprimidos, lutar por justiça e por paz. “Felizes os que deixam penetrar em seu coração as palavras de Jesus: ‘Tende paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas tende coragem, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).



