Nos capítulos 11 e 12 do seu evangelho, Mateus apresenta-nos a crise do ministério de Jesus. ‘ João Batista que o havia anunciado como “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29) e dissera não ser digno de desatar a correia de suas sandálias, envia da prisão, discípulos para perguntar-lhe: “És tu aquele que devia vir, ou devemos esperar outro?” Mt 11, 2-3). Jesus pede que transmitam a ele o que estão ouvindo e vendo: “Os cegos vêm, os coxos andam, leprosos são curados, mortos ressuscitam, pobres recebem a boa notícia…” (11,4-6). Além da dúvida, espalha-se a indiferença:
“Tocamos a flauta E não dançastes, Cantamos lamentações E não fizestes luto” (11, 17). A isto. soma-se a crescente hostilidade de escribas, fariseus e herodianos. Qual a reação de Jesus? Não é de lamentações, nem de amaldiçoar essas pessoas, mas de conferir estes acontecimentos e dissabores com o Pai, na oração. Temos então, esta prece de ação de graças e de louvor ao Pai: “Eu te louvo, o Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25).
Atitude de louvor e, ao mesmo tempo, de gratidão, porque os pequenos, os pobres e os humildes estiveram abertos à revelação do Pai acerca do seu Filho bem-amado, Jesus. Ele olha as multidões ao seu redor. São como ovelhas sem pastor. Os que deviam cuidar das doentes e desgarradas não o fazem e ainda lhes impõem pesados preceitos religiosos, que eles mesmos não cumprem.
Dirige-se a essas pessoas abatidas e desanimadas, dizendo: “Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados, sob o peso de vossos fardos e eu vos darei descanso” (11, 28). Faz ainda um convite a eles e a nós que vivemos estressados, de pavio curto, explodindo com todo mundo, devolvendo indiferença com indiferença, xingamento com mais xingamento, insulto com insulto e ainda esparramando à nossa volta um clima pesado de pessimismo e desesperança. Jesus intervém para dizer:
“Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e vós encontrareis descanso, porque meu jugo é suave e meu fardo é leve” (11, 30). Nas nossas dores, no abatimento e cansaço na comunidade, tomemos a resolução de ir até o Cristo e peçamos a graça de aprendermos a ser mansos e humildes de coração, compassivos e ancorados na esperança que o Senhor ressuscitado nos trouxe.



