“Orelha de Jegue” narra a exploração dos migrantes nordestinos nos cafezais do Paraná

Volume será apresentado na sexta-feira, 25, as 19h no CAC. "É apenas uma modesta contribuição para ajudar os historiadores do futuro a terem uma referência bibliográfica que ajude nas pesquisas", explica o jornalista e escritor Manoel Messias

Orelha de Jegue, é um livro que narra a saga da família do jornalista e escritor Manoel Messias Mendes Almeida, o Mané Messias, que deixou em 1957 a cidade de Pintadas na Bahia, para vir atrás da promessa do Eldorado nos cafezais do Paraná. Se no nordeste, além dos coronéis que escravizavam os trabalhadores rurais, havia também a seca e a falta de condições que inviabilizavam a cultura agrícola para quem tinha um pedacinho de terra, no sul, o maior problema que encontraram acabou sendo a desonestidade dos fazendeiros, que faziam com que o encontro de contas entre o que os colonos tinham para receber e aquilo que deviam, os mantivesse sempre em débito.

Messias conta que os adiantamentos de pagamentos eram marcados pelos patrões em uma folha de papel de pão rasgada com escritas compreensíveis somente por eles, que depois as manipulava ao próprio bel prazer. A prática também era difusa por lá, e os migrantes do nordeste que chegaram no norte do Paraná, apelidaram a anotação de Orelha de Jegue.

O autor explica que a história narrada no livro navega entre autobiografia e suas memórias, e que reflete a realidade da maioria das famílias que migraram para o sul em busca de uma vida melhor.

A experiência de vida e também dos quase 60 anos de dedicação ao jornalismo, agora se refletem no livro, que quer ser principalmente um registro histórico para as gerações futuras.

Manoel Messias – autor do livro “Orelha de Jegue – Memórias de um Repórter Nordestino”

O autor não ignora as novas formas de escravidão que se repetem no tempo presente com migrantes do nordeste em centros urbanos como Maringá, mas mais do que um alerta sobre o presente, ele espera que o livro ajude as pessoas a conhecerem a realidade histórica e que tendo conhecimento não repitam as mesmas atitudes.

 “É apenas uma modesta contribuição para ajudar os historiadores do futuro a terem uma referência bibliográfica que ajude nas pesquisas”, explica o escritor.

O lançamento do livro “Orelha de Jegue – Memórias de um Repórter Nordestino” acontece na sexta-feira, 25, as 19h, no Centro de Ação Cultural de Maringá – CAC – que fica no ângulo das avenidas XV de Novembro com Getúlio Vargas.

O volume sai pela Editora Maria Patrona e é patrocinado pelo Projeto Memória do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná – Sindjor.